- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 16 , OUTUBRO 2026
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a ofensa atribuída a ele contra a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), durante a CPMI do 8 de Janeiro, foi baseada no relato de outra pessoa. Segundo o prefeito, ele não proferiu a frase que gerou a denúncia por injúria no Supremo Tribunal Federal (STF) e decidiu fazer uma retratação pública apenas como estratégia jurídica para encerrar o processo.
Abilio comentou o episódio após a repercussão do pedido de desculpas publicado por ele nas redes sociais na segunda-feira (28). A retratação foi feita como parte de um acordo de transação penal proposto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no processo que tramita no STF.
“Eu não disse nada, nada, de verdade. Eu não tinha dito praticamente nada sobre aquele assunto. Porém, um senador, um deputado, afirmou o que eu tinha dito. Porém, não havia inserido no processo nenhuma prova”, afirmou o prefeito.
O episódio ocorreu em 11 de julho de 2023, durante a 8ª reunião da CPMI que investigava os atos de 8 de Janeiro. Na ocasião, Érika Hilton criticou a atuação de Abilio, que ainda era deputado federal suplente, e afirmou que ele estaria tumultuando os trabalhos.
Segundo relatos feitos à época, Abilio teria respondido fora do microfone com uma frase interpretada como uma referência pejorativa à prostituição. A fala foi apontada por parlamentares como uma ofensa de caráter transfóbico contra Érika. O episódio chegou a ser levado ao Conselho de Ética da Câmara, mas a representação acabou arquivada.
Em dezembro de 2024, a PGR apresentou denúncia contra Abilio ao STF por injúria. O caso ficou sob relatoria da ministra Cármen Lúcia e, posteriormente, foi discutida a possibilidade de uma transação penal para encerrar o caso sem condenação formal.
Ao explicar por que decidiu se retratar mesmo sustentando que não fez a declaração, Abilio afirmou que optou pelo acordo para evitar a continuidade do processo.
“Contudo, houve um entendimento da deputada Érika Hilton e do senador de que eu teria dito alguma coisa que ferisse a honra ou a dignidade da deputada. Não disse, mas, em caso de interpretação de que eu tivesse dito, eu falei: ‘se for por essa razão, peço desculpa por aquilo que não disse, mas que é pela interpretação do que disse’”, explicou.
Na publicação feita na segunda-feira, porém, Abilio reconheceu que teve uma “conduta inadequada e desrespeitosa” e afirmou que suas manifestações atingiram a honra da deputada. O texto foi apresentado como cumprimento de uma das condições da transação penal proposta pela PGR.
Apesar disso, ao comentar o caso nesta terça, o prefeito voltou a sustentar que não reconhece ter proferido a ofensa e disse que o pedido de desculpas foi uma forma de encerrar a disputa judicial.
“Entendi que a melhor alternativa para cessar esse processo era um acordo. E, por meio desse acordo, fiz a manifestação do pedido de desculpas pelo entendimento daquilo que eu poderia ter dito ou que entenderam que eu tinha dito. Mas, em todo caso, se eles entendem que eu disse ou não, o pedido de desculpa está feito e a retratação está feita e publicada”, concluiu.
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