quinta-feira, 15 - outubro 2026 - 13:58



EMBATE IDEOLÓGICO

Michelly Alencar ironiza ação de Erika Hilton e questiona espaço de deputada em comissão; ‘não representa a mulher’


Allan Mesquita/ Da Redação
Michelly Alencar e Erika Hilton
Michelly Alencar e Erika Hilton

A vereadora de Cuiabá Michelly Alencar (União Brasil) ironizou a representação eleitoral movida pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) contra ela e voltou a questionar a escolha da parlamentar trans para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. As declarações foram feitas nesta quinta-feira (15), após sessão na Câmara Municipal de Cuiabá.

Michelly afirmou que a discussão sobre a presidência do colegiado é uma das razões pelas quais defende maior representatividade feminina nos espaços de poder. Para ela, a comissão deveria ser comandada por uma mulher cisgênero, embora tenha ressaltado que se manifestaria da mesma forma caso um homem ocupasse exclusivamente a presidência do grupo.

“É por isso que a nossa luta é de aumentar essa representatividade feminina, onde as discussões estão sendo feitas a respeito de nós”, declarou.

A vereadora também comentou a ação apresentada por Erika Hilton à Justiça Eleitoral de Mato Grosso. A deputada acusa Michelly de impulsionar publicações pagas nas redes sociais com conteúdo negativo contra ela durante o período eleitoral. A representação pede providências da Justiça por suposta propaganda eleitoral irregular.

Ao comentar o caso, Michelly ironizou a iniciativa e disse acreditar que a deputada tenha adotado medidas semelhantes contra outros candidatos pelo país. “Eu até fiquei surpresa e acreditando que isso só mostra que realmente nós estamos no caminho certo”, afirmou.

A vereadora também fez referência aos processos envolvendo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e disse que sua defesa está tranquila. “O meu tá bem tranquilo, a defesa tá super tranquila”, declarou.

Postagem sobre voto cristão

Michelly afirmou que a publicação questionada por Erika Hilton tratava da participação de cristãos na política e no processo eleitoral. Segundo a vereadora, o conteúdo apresentava posicionamentos dos quais discorda, incluindo a discussão sobre a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher por uma representante trans.

Ela alegou que a postagem não foi direcionada exclusivamente à deputada, mas utilizou a presidência da comissão como exemplo para sustentar seu posicionamento.

“Eu só coloquei como exemplo que ela preside esta comissão”, disse.

A representação eleitoral foi apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Segundo informações divulgadas pela imprensa local, a Justiça determinou que Michelly apresente defesa. Até as últimas informações publicadas, não havia decisão de mérito sobre o caso.

Disputa pela presidência da comissão

Erika Hilton foi eleita em março deste ano para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o posto. A escolha provocou críticas de parlamentares contrários à indicação, que defenderam que o colegiado fosse comandado por uma mulher cisgênero.

Michelly já havia se posicionado contra a escolha e participado de manifestações políticas sobre o tema. Em Cuiabá, a Câmara Municipal aprovou uma moção de repúdio à eleição de Erika Hilton, proposta pelo vereador Rafael Ranalli (PL), com apoio de parlamentares contrários à indicação.

Durante a entrevista desta quinta-feira, Michelly afirmou que continuará defendendo suas posições políticas, mas disse que pretende manter o que considera um tom respeitoso em suas manifestações.

“Eu vou continuar me posicionando, eu vou continuar defendendo aquilo que eu acredito”, declarou.


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