- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 15 , OUTUBRO 2026
A vereadora de Cuiabá Michelly Alencar (União Brasil) ironizou a representação eleitoral movida pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) contra ela e voltou a questionar a escolha da parlamentar trans para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. As declarações foram feitas nesta quinta-feira (15), após sessão na Câmara Municipal de Cuiabá.
Michelly afirmou que a discussão sobre a presidência do colegiado é uma das razões pelas quais defende maior representatividade feminina nos espaços de poder. Para ela, a comissão deveria ser comandada por uma mulher cisgênero, embora tenha ressaltado que se manifestaria da mesma forma caso um homem ocupasse exclusivamente a presidência do grupo.
“É por isso que a nossa luta é de aumentar essa representatividade feminina, onde as discussões estão sendo feitas a respeito de nós”, declarou.
A vereadora também comentou a ação apresentada por Erika Hilton à Justiça Eleitoral de Mato Grosso. A deputada acusa Michelly de impulsionar publicações pagas nas redes sociais com conteúdo negativo contra ela durante o período eleitoral. A representação pede providências da Justiça por suposta propaganda eleitoral irregular.
Ao comentar o caso, Michelly ironizou a iniciativa e disse acreditar que a deputada tenha adotado medidas semelhantes contra outros candidatos pelo país. “Eu até fiquei surpresa e acreditando que isso só mostra que realmente nós estamos no caminho certo”, afirmou.
A vereadora também fez referência aos processos envolvendo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e disse que sua defesa está tranquila. “O meu tá bem tranquilo, a defesa tá super tranquila”, declarou.
Postagem sobre voto cristão
Michelly afirmou que a publicação questionada por Erika Hilton tratava da participação de cristãos na política e no processo eleitoral. Segundo a vereadora, o conteúdo apresentava posicionamentos dos quais discorda, incluindo a discussão sobre a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher por uma representante trans.
Ela alegou que a postagem não foi direcionada exclusivamente à deputada, mas utilizou a presidência da comissão como exemplo para sustentar seu posicionamento.
“Eu só coloquei como exemplo que ela preside esta comissão”, disse.
A representação eleitoral foi apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Segundo informações divulgadas pela imprensa local, a Justiça determinou que Michelly apresente defesa. Até as últimas informações publicadas, não havia decisão de mérito sobre o caso.
Disputa pela presidência da comissão
Erika Hilton foi eleita em março deste ano para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o posto. A escolha provocou críticas de parlamentares contrários à indicação, que defenderam que o colegiado fosse comandado por uma mulher cisgênero.
Michelly já havia se posicionado contra a escolha e participado de manifestações políticas sobre o tema. Em Cuiabá, a Câmara Municipal aprovou uma moção de repúdio à eleição de Erika Hilton, proposta pelo vereador Rafael Ranalli (PL), com apoio de parlamentares contrários à indicação.
Durante a entrevista desta quinta-feira, Michelly afirmou que continuará defendendo suas posições políticas, mas disse que pretende manter o que considera um tom respeitoso em suas manifestações.
“Eu vou continuar me posicionando, eu vou continuar defendendo aquilo que eu acredito”, declarou.