- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 21 , OUTUBRO 2026
O vice-presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Bruno Rios (PL), registrou um boletim de ocorrência contra o presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), após ser alvo de frases que classificou como ameaças durante a sessão plenária desta terça-feira (20). O episódio ocorreu no mesmo dia em que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção e compra de votos na eleição da Mesa Diretora.
Segundo Bruno Rios, o boletim de ocorrência já foi registrado e o caso será comunicado às autoridades responsáveis pela investigação. “Já realizei um boletim de ocorrência, já vamos estar informando já ao devido inquérito, até porque o mesmo faz uma ameaça em decorrência de uma operação policial que ocorreu dentro dele”, afirmou.
A discussão entre os parlamentares foi captada pelo sistema de áudio da transmissão oficial da Câmara. Durante o bate-boca, Wanderley Cerqueira se aproximou de Rios e disse: “Você vai pagar, meu filho”. Em outro momento, voltou a provocá-lo, afirmando que o colega “vai saber na hora certa”.
O vice-presidente rebateu as declarações e disse que não poderia ser responsabilizado pelas ações de outros vereadores. “Agora, se ele quer me culpar em relação a isso, eu não posso fazer nada”, declarou.
Durante a entrevista, Bruno Rios também fez acusações sobre os bastidores da disputa pela Mesa Diretora, realizada em maio deste ano. Segundo ele, Wanderley Cerqueira teria prometido a outros vereadores que a prefeita Flávia Moretti (PL) seria cassada pela Justiça Eleitoral e, com base nessa expectativa, já estaria distribuindo espaços na administração municipal.
“Ele mesmo vendia aos colegas vereadores a promessa que ela seria cassada, e ele mesmo já loteava a Prefeitura de Várzea Grande devido à cassação”, afirmou Rios.
O vereador disse acreditar que a possibilidade de mudanças no comando do Executivo municipal teria influenciado o posicionamento de parte dos parlamentares durante a disputa interna. Ele também afirmou que Cerqueira teria reunido os colegas em uma chácara nos dias que antecederam a eleição.
“Como se faz uma confraternização antes da eleição? Poxa, acredito que festa só se faz posterior à eleição, do resultado. E outra coisa, uma confraternização de três dias, quatro dias, eu acho que essa conta não fecha”, declarou.
As afirmações foram feitas por Bruno Rios ao comentar as suspeitas investigadas pelo Gaeco. As alegações sobre supostas promessas de cargos e articulações políticas são declarações do vereador e não representam, por si só, fatos comprovados.
Operação investiga compra de votos
A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada pelo Gaeco nesta terça-feira (20) para apurar suspeitas de corrupção e compra de votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Wanderley Cerqueira está entre os alvos das medidas investigativas.
A operação ampliou a tensão política no Legislativo, onde as divergências entre o grupo ligado ao presidente da Câmara e os aliados da prefeita Flávia Moretti já vinham se manifestando nos bastidores.
Após a ação policial, Cerqueira questionou a atuação das autoridades e levantou suspeitas de motivação política. Já Bruno Rios afirmou que não aceita ser responsabilizado pelas condutas de outros parlamentares.
O caso envolvendo as declarações feitas durante a sessão deverá ser formalizado junto às autoridades por meio do boletim de ocorrência registrado pelo vice-presidente. Até o momento, as acusações apresentadas por Rios contra o presidente da Câmara devem ser tratadas como alegações, enquanto os fatos são apurados.