- CUIABÁ
- SÁBADO, 24 , OUTUBRO 2026
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que estudantes de universidades públicas “emburreceram” depois de ingressar nas instituições e criticou o que considera uma prioridade à militância política em detrimento do aprendizado. A declaração foi feita nesta sexta-feira (23), durante coletiva de imprensa, ao comentar um vídeo publicado nas redes sociais em que um estudante ligado ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) o chama de fascista.
“Os caras querem acusar eu do que eles são. Eles que são. Hoje nós temos uma esquerda fascista no poder. Nós temos uma esquerda fascista nas unidades”, afirmou o prefeito, ao rebater a acusação.
Na sequência, Abilio questionou o conhecimento dos universitários e afirmou que parte dos estudantes não estaria aproveitando a formação acadêmica. “Pergunta pra aquele aluno lá quanto que é 4×4. O cara tá no DC da universidade. Pergunta quanto que é 4×4. O cara não sabe 4×4”, declarou.
O prefeito também afirmou que muitos estudantes estariam mais preocupados com a atuação política do que com a busca pelo conhecimento, que, segundo ele, deveria ser o principal objetivo das universidades federais e estaduais.
“A maioria desses alunos estão mais preocupados com militância política do que com a busca do conhecimento que deveria ser o principal objetivo de uma universidade federal ou estadual”, disse.
Abilio argumentou que a população tem o direito de cobrar resultados das instituições públicas de ensino superior por serem financiadas com recursos públicos. Na avaliação dele, o investimento precisa se refletir no desempenho acadêmico e na formação dos estudantes.
“Eu não posso dar direito àquele aluno que está lá de ser mau cidadão, de não aprender na universidade, de não corresponder ao dinheiro público aplicado”, afirmou.
O prefeito também citou o princípio da eficiência na administração pública para defender a cobrança por resultados. Segundo ele, o uso dos recursos destinados às universidades deve ser acompanhado pela sociedade.
Ataques a universitários
A declaração ocorre em meio a uma sequência de controvérsias envolvendo Abilio e a comunidade acadêmica de Mato Grosso. Na terça-feira (13), durante o lançamento da Casa 22, espaço de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o prefeito criticou estudantes e professores da UFMT e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na ocasião, Abilio ironizou a participação de integrantes das universidades em atos políticos e fez referências ao consumo de maconha e cocaína, além de citar camisetas com a imagem de Che Guevara. O prefeito afirmou que a atuação desses grupos poderia favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro entre eleitores conservadores.
As declarações provocaram reação da comunidade acadêmica. A reitora da UFMT, Marluce Souza e Silva, anunciou que encaminharia o caso à Procuradoria-Geral Federal para análise e adoção das providências cabíveis. A Associação dos Docentes da Unemat (Adunemat) também repudiou as falas e informou que adotaria medidas judiciais.
Na quinta-feira (22), a repercussão ganhou novo capítulo com a divulgação de um vídeo nas redes sociais em que estudantes e integrantes de movimentos ligados à educação criticam Abilio e o deputado estadual Ulysses Moraes (PL), chamando-os de fascistas. O material também convoca para uma manifestação em defesa da democracia e da educação pública em Cuiabá.
Questionado sobre a acusação direcionada a ele, Abilio voltou a atribuir o fascismo à esquerda e defendeu que estudantes de universidades públicas sejam cobrados pelo desempenho acadêmico e pela aplicação dos recursos públicos.