- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 1 , OUTUBRO 2026
O governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), foi o principal alvo dos adversários durante o último debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, realizado nesta quinta-feira (1º), na TV Vila Real. Ao longo dos blocos, o chefe do Executivo estadual foi pressionado principalmente sobre violência contra a mulher, incentivos fiscais, infraestrutura, consignados e resultados da atual gestão.
O tema da violência contra a mulher foi um dos que mais expôs Pivetta. Logo na abertura do debate, Natasha Slhessarenko (PSD) escolheu o governador e levou para o confronto uma denúncia de violência doméstica envolvendo o candidato e sua ex-companheira, episódio que foi posteriormente arquivado. Natasha questionou quais medidas Pivetta adotaria para combater a violência contra as mulheres. O governador evitou entrar diretamente no episódio pessoal e respondeu destacando ações de sua administração, como políticas de proteção às mulheres, estruturas de atendimento e medidas de combate à violência doméstica.
Na réplica, porém, Natasha voltou ao caso e afirmou que havia sido impedida pela Justiça Eleitoral de utilizar o episódio em peças de sua campanha. Pivetta reagiu acusando a adversária de ter ultrapassado os limites da legislação eleitoral e afirmou que decisões judiciais seriam responsáveis pela retirada das propagandas.
A troca terminou com Natasha pedindo direito de resposta, que foi concedido no início do segundo bloco. Na ocasião, a candidata voltou a mencionar o episódio e declarou que havia sido “silenciada”. Pivetta novamente contestou as acusações.
Wellington também leva violência contra a mulher para o confronto
O assunto voltou ao centro do debate quando Wellington Fagundes (PL) questionou Natasha sobre as ações do atual governo para combater feminicídios e violência contra mulheres.
A candidata aproveitou a pergunta para novamente mencionar a acusação envolvendo Pivetta e defender medidas como a criação de uma Secretaria da Mulher com orçamento próprio, ampliação da Patrulha Maria da Penha, realização de concursos para a segurança pública e criação de casas de acolhimento.
Wellington também fez referência ao episódio envolvendo o governador e defendeu políticas específicas de proteção e atendimento às mulheres.
O assunto acabou sendo retomado em diferentes momentos do debate, transformando a violência contra a mulher em um dos principais pontos de confronto envolvendo Pivetta.
Incentivos fiscais viram outro campo de batalha
Além das acusações relacionadas à violência contra a mulher, os incentivos fiscais foram outro tema recorrente nos ataques ao governador.
Wellington questionou Pivetta sobre benefícios fiscais concedidos a empresas e negou que empresas ligadas à sua família tenham sido beneficiadas. O confronto chegou ao ponto de Wellington desafiar o governador a renunciar caso as acusações não fossem comprovadas.
Pivetta chegou a pegar um documento para tentar apresentar informações sobre os incentivos, mas foi interrompido pelo mediador, que lembrou que as regras do debate não permitiam a exibição de documentos.
O governador ainda acusou Wellington e Natasha de fazerem uma espécie de “dobradinha” contra ele.
O tema voltou em outros confrontos. Rafaell Milas (Missão) também questionou Pivetta sobre o Prodeic e, em outro momento, levou acusações envolvendo incentivos fiscais concedidos a pessoas ligadas a Wellington para o centro do debate.
Maurício também mira o governador
Maurício Coelho (Mobiliza) foi outro candidato que direcionou ataques a Pivetta.
Ele questionou o governador sobre os descontos de empréstimos consignados de servidores, cobrando a suspensão dos repasses relacionados às operações apontadas como fraudulentas. Pivetta respondeu que o Estado já havia adotado medidas judiciais e afirmou que mais de R$ 100 milhões estavam depositados em juízo.
Maurício também confrontou o governador sobre renúncias fiscais e questionou a manutenção dos benefícios concedidos a empresas ligadas ao grupo empresarial de Pivetta.
Em outro momento, os dois bateram de frente sobre infraestrutura e situação fiscal do Estado.
Pivetta termina debate na defensiva dos ataques
Apesar de ter utilizado seus espaços para defender resultados da administração e apresentar propostas de continuidade, Pivetta passou boa parte do debate respondendo a questionamentos dos adversários.
A estratégia dos candidatos de oposição acabou concentrando sobre o governador temas sensíveis de sua trajetória política e de sua gestão, principalmente violência contra a mulher e incentivos fiscais.
No encerramento, Pivetta abandonou os confrontos e adotou um discurso mais institucional. Disse que governar exige conhecimento, razão e capacidade de se colocar no lugar da população, além de prometer dedicar “toda a minha força, toda a minha energia para melhorar a vida do povo mato-grossense”.
O debate reuniu, além de Pivetta, Natasha, Wellington, Maurício Coelho, Rafaell Milas e Sargento Laudicério. O encontro foi o último debate entre os candidatos antes do primeiro turno.