- CUIABÁ
- DOMINGO, 18 , OUTUBRO 2026
O presidente estadual do PL, Ananias Filho, reconheceu que a falta de apoio de prefeitos pesou na derrota do senador Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Em entrevista, ele afirmou que o “desarranjo” político durante a campanha prejudicou o desempenho do candidato, derrotado por Otaviano Pivetta (Republicanos) ainda no primeiro turno.
“Eu creio que pesou, teve todo esse desarranjo e, sem dúvida, pesa”, afirmou Ananias ao ser questionado se a falta de união dos prefeitos contribuiu para o resultado eleitoral.
A declaração ocorre após uma campanha marcada pela adesão de gestores municipais à candidatura de Pivetta, inclusive de prefeitos filiados ao próprio PL, partido de Wellington. Em agosto, 133 dos 142 prefeitos de Mato Grosso assinaram uma manifestação de apoio à reeleição do governador. Entre eles, havia 25 gestores ligados a partidos que integravam o arco de alianças de Wellington, incluindo 12 do PL e 13 do MDB, segundo levantamento divulgado durante a campanha.
Pivetta terminou a eleição com 60,77% dos votos válidos, o equivalente a 1.128.099 votos, enquanto Wellington recebeu 23,19%, ou 430.442 votos. A diferença foi de quase 698 mil votos, conforme os dados finais da apuração.
Apesar da derrota na disputa pelo Palácio Paiaguás, Ananias negou que o resultado tenha representado um baque para o PL. Ele destacou o desempenho da sigla nas eleições proporcionais e afirmou que o partido saiu fortalecido do processo eleitoral.
“O PL foi vencedor. O PL fez a maior bancada federal, um senador, três deputados federais, quatro deputados estaduais. Estamos tranquilos e conscientes, participando do processo democrático com altivez”, declarou.
Pressão no comando do PL
Na mesma entrevista, Ananias também comentou as críticas de lideranças que defendem mudanças no comando estadual do partido. Questionado sobre declarações do empresário Odílio Balbinotti Filho, que sinalizou insatisfação com a direção da sigla, o presidente afirmou que recebe as cobranças com tranquilidade.
“Eu não tenho nenhuma preocupação. É tranquilidade. Eles que, às vezes, acham que teve alguma coisa de desconforto, tem que se discutir. E eles têm tranquilidade em reivindicar o que desejarem. Não tenho nenhuma dificuldade de ouvir isso”, afirmou.
Ananias confirmou ainda que esteve em Brasília para conversar com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Segundo ele, a reunião faz parte da rotina de prestação de contas do diretório estadual, mas a possibilidade de mudança no comando não foi discutida.
“Zero oportunidade de tocar em pauta”, disse, ao ser questionado se o assunto havia sido tratado. Segundo Ananias, Valdemar recebeu bem o resultado eleitoral de Mato Grosso.