- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 15 , MAIO 2026
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de dois anos estão em alta em todo o Brasil, impulsionados principalmente pela circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), apontado como o principal agente causador da bronquiolite nessa faixa etária.
O alerta consta no Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (14) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que monitora a circulação de vírus respiratórios no país. Segundo o levantamento, nas últimas quatro semanas, 41,5% dos casos de SRAG com identificação viral foram causados por VSR. Em seguida aparecem a Influenza A, com 27,2%, e o rinovírus, com 25,5%.
Entre as demais faixas etárias, o cenário é considerado estável, mas o boletim destaca a persistência do aumento de casos de Influenza A em estados das regiões Sul, Norte e Sudeste, incluindo Roraima, Tocantins, São Paulo e Espírito Santo.
De acordo com o levantamento, a Influenza A foi responsável por 51,7% das mortes por SRAG com confirmação laboratorial nas últimas quatro semanas, com maior impacto entre idosos.
O boletim aponta ainda que todas as unidades federativas do país estão em situação de alerta, sendo que dez apresentam classificação de alto risco: Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraíba.
Além disso, 14 estados apresentam tendência de aumento de casos nas próximas semanas, entre eles Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Amapá, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O cenário ocorre após alerta recente da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que destacou o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com predominância da Influenza A (H3N2) e do VSR.
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe/Fiocruz, reforça a importância da vacinação como principal forma de prevenção contra formas graves da doença.
“A principal forma de prevenção contra agravamentos e óbitos por VSR e Influenza A é a vacinação. É essencial que os grupos de risco estejam imunizados”, destacou.
A vacina contra a gripe disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) protege contra o vírus Influenza A e é direcionada prioritariamente a idosos, gestantes, crianças menores de seis anos e pessoas com comorbidades ou condições de vulnerabilidade.
Já a imunização contra o VSR é aplicada em gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, com o objetivo de proteger o bebê nos primeiros meses de vida. O SUS também oferece um anticorpo monoclonal para bebês prematuros, grupo considerado de alto risco para complicações.
Em 2026, o Brasil registrou 57.585 casos de SRAG, sendo que 45,7% tiveram confirmação para algum vírus respiratório.
O rinovírus foi o mais frequente no período, presente em 36,1% das amostras, seguido pela Influenza A (26,3%), VSR (25,3%) e Covid-19 (7,4%).
Entre os óbitos, foram registradas 2.660 mortes por SRAG, das quais 1.151 tiveram confirmação laboratorial. A Influenza A responde por 39,6% dessas mortes, seguida pela Covid-19 (26%), rinovírus (21,3%) e VSR (6,4%).