quarta-feira, 6 - maio 2026 - 19:20



CRISE NA ARGENTINA

Corrupção, inflação e crise econômica desafiam governo de Milei


Reprodução
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O governo do presidente argentino Javier Milei enfrenta um dos momentos mais difíceis desde o início do mandato, marcado por pressões econômicas, desgaste político e denúncias de corrupção.

A inflação, que havia recuado após atingir níveis de dois dígitos no fim de 2023, voltou a acelerar em 2026. Depois de períodos em torno de 2% ao mês ao longo de 2025, o índice chegou a 3,4% em março deste ano, reacendendo preocupações no mercado e no governo.

A atividade econômica também apresenta retração. Em fevereiro, houve queda de 2,6% em relação a janeiro, acumulando recuo de 2,1% em 12 meses. A indústria, por sua vez, foi ainda mais afetada, com retração de 4% no mês e queda acumulada de 8,7% no último ano.

Diante do cenário, Milei reconheceu publicamente dificuldades na condução da economia. “O dado é ruim”, declarou em publicação nas redes sociais.

Especialistas apontam que o plano econômico do governo, baseado em forte austeridade fiscal e redução do Estado, ainda não tem conseguido estabilizar a economia. Segundo o economista Paulo Gala, da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), o modelo adotado é insuficiente para reverter os desequilíbrios estruturais do país.

Ele avalia que a falta de confiança no peso argentino contribui para a instabilidade, com contratos cada vez mais dolarizados, o que favorece a volta da inflação. Gala também alerta para os impactos da sobrevalorização da moeda na indústria local, que vem perdendo competitividade e acumulando retração.

No cenário externo, a Argentina continua recorrendo a empréstimos em dólar para sustentar o valor do peso, o que aumenta preocupações sobre risco de crise cambial e endividamento.

Além da crise econômica, o governo enfrenta desgaste político. Pesquisas recentes indicam desaprovação superior a 60%. Levantamentos apontam que corrupção e economia são hoje os principais fatores de insatisfação popular.

Entre os episódios que alimentam a crise de imagem está a investigação sobre suposto enriquecimento ilícito envolvendo o chefe de gabinete, Manuel Adorni, que nega irregularidades.

Uma pesquisa da consultoria Zentrix indica que dois terços da população acreditam que o governo não cumpriu a promessa de combate à chamada “velha política”.

Para analistas, Milei ainda colhe parte do apoio pela falta de uma oposição organizada, mas enfrenta crescente dificuldade para sustentar sua agenda até as eleições de 2027.

No campo institucional, o governo também foi criticado por medidas envolvendo a imprensa, como restrições temporárias ao acesso de jornalistas à Casa Rosada, posteriormente revistas após repercussão negativa.

Mesmo com sinais pontuais de melhora em indicadores financeiros e elevação da nota de crédito pela agência Fitch Ratings, especialistas avaliam que o quadro geral da economia argentina segue instável e sob risco de nova deterioração.


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