- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 7 , MAIO 2026
O Senado aprovou nesta terça-feira (5) o PL (projeto de lei) que prevê a criação da Universidade Federal Indígena (Unind). A votação foi simbólica, ou seja, sem registro nominal de votos. O texto segue para sanção presidencial.
De autoria do Poder Executivo, no âmbito do MEC (Ministério da Educação), o texto foi relatado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM).
“A criação da Unind, outrossim, vem reforçar os avanços da participação de populações indígenas nos quadros docentes e discentes da educação brasileira a partir da lei de cotas”, afirmou o relator.
O Governo Federal encaminhou o projeto ao Congresso em regime de urgência, no final do último ano. Em fevereiro, a matéria foi aprovada na Câmara dos Deputados sob parecer favorável da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG)
De acordo com o projeto, construído pelo MEC em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas, a primeira sede será implementada em Brasília. A ideia é que a instituição tenha como base um modelo educacional “que fortaleça identidades e saberes tradicionais em diálogo com o conhecimento acadêmico não-indígena”.
Na divulgação do projeto, realizada pelas pastas, os pilares da Universidade Federal dos Povos Indígenas são:
Inicialmente, serão oferecidos dez cursos, voltados para atender até 2,8 mil estudantes nos primeiros quatro anos de implantação. As áreas de interesse seguirão as demandas de cada povo e abrangem temáticas como gestão ambiental e territorial; gestão de políticas públicas; sustentabilidade socioambiental; promoção das línguas indígenas; saúde; direito; agroecologia; engenharias e tecnologias; formação de professores; e demais áreas consideradas estratégicas para seu fortalecimento e autonomia.
Além disso, a Unind vai preservar e difundir as línguas dos povos indígenas do Brasil e da América Latina.
O Ministério da Educação será responsável por nomear o primeiro reitor e vice-reitor, obrigatoriamente indígenas, para conduzir a organização da universidade até a aprovação de seu Estatuto e Regimento Geral. A partir daí, a governança será autônoma, exercida pelo reitor e pelo Conselho Universitário.
Como se trata de uma nova autarquia, o projeto deve estar em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O financiamento da nova universidade já está previsto na LOA (Lei Orçamentária Anual), mas sem definição clara de valores. O MEC afirma que o texto aprovado no Senado contempla de forma gradual os investimentos em infraestrutura, custeio e provimento de pessoal, e que depende de avanços na sanção presidencial.
“Será constituído por bens móveis e imóveis transferidos da União para a Unind, além de doações e legados de entidades públicas ou privadas”, diz um trecho do projeto de lei.
A matéria também autoriza a criação de cargos de Direção (CD), Funções Gratificadas (FG) e Cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) necessários para a implantação da reitoria e dos campi.