- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 20 , AGOSTO 2026
O debate promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) com candidatos ao Governo do Estado começou, nesta quinta-feira (20), com uma troca de farpas entre o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, e o senador Wellington Fagundes (PL). O confronto ocorreu durante a discussão sobre questões ambientais e fundiárias que afetam produtores rurais.
O primeiro bloco do evento “Agricultura em Pauta: Propostas para Mato Grosso” foi dedicado ao tema ambiental e fundiário. Ao responderem sobre como o Estado deve solucionar conflitos envolvendo áreas de proteção criadas sobre regiões produtivas, os candidatos apresentaram propostas diferentes.
A médica Natasha Slhessarenko (PSD) defendeu uma revisão das áreas que impõem restrições aos produtores. Segundo ela, quando a própria administração pública cria uma limitação sobre determinada região, a responsabilidade pela solução do problema não pode ser colocada exclusivamente sobre o produtor.
“O produtor não pode ficar pagando o preço sem indenização”, afirmou.
Na sequência, Wellington Fagundes criticou a atual gestão e afirmou que, nos últimos sete anos, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) teria criado áreas de proteção que prejudicaram produtores rurais.
A declaração provocou reação de Pivetta, que contestou a afirmação e disse ser necessário “repor a verdade” sobre o assunto. O governador negou que sua gestão tenha criado novas Áreas de Proteção Ambiental (APAs).
Wellington voltou a defender seu posicionamento e pediu que os produtores tivessem voz para relatar os problemas enfrentados em razão das restrições.
Segurança jurídica
Antes do confronto, os candidatos haviam sido questionados sobre medidas para tornar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) um instrumento mais efetivo de regularização, com maior previsibilidade e segurança jurídica para os produtores.
Pivetta destacou ações de desburocratização adotadas pelo Estado e afirmou que pretende ampliar o uso de tecnologia por meio do CAR 2.0. Também citou investimentos da Sema-MT em tecnologia e a descentralização da gestão ambiental, com participação de prefeitos e consórcios municipais.
O Sargento Laudicério (Agir) defendeu maior segurança jurídica para o setor produtivo. Pivetta aproveitou a intervenção para reforçar as medidas adotadas pela administração estadual.
Na sequência, os candidatos discutiram a rastreabilidade da produção e os riscos de exigências externas provocarem restrições aos produtores que cumprem a legislação.
Wellington defendeu o avanço da rastreabilidade tanto para o mercado interno quanto para as exportações. Ele citou como exemplos mecanismos utilizados na cadeia do ouro e na produção de vacinas, argumentando que o controle de origem é importante para garantir segurança e credibilidade aos produtos brasileiros.
Sabatina
O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Beber, defendeu a realização do debate como uma oportunidade para que os candidatos apresentem propostas e sejam questionados diretamente pelo setor produtivo.
Ao final do encontro, os candidatos receberão uma carta elaborada pela entidade com as principais demandas do setor agropecuário.
“Evento isento, apartidário e que traz a igualdade para todos os candidatos, respeitando as normas e a política da lei eleitoral do nosso país”, afirmou Lucas.
Segundo o presidente da entidade, pesquisas eleitorais não foram utilizadas como critério para definir os candidatos convidados para a sabatina.
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