quarta-feira, 15 - julho 2026 - 09:19



JULGAMENTO DE ASSASSINO

Dois após assassinato, filha de Renato Nery diz que ‘não se sente segura’


Allan Mesquita / Da Redação

A filha do advogado Renato Gomes Nery, Lívia Nery, afirmou que, mesmo dois anos após o assassinato do pai, ainda convive com o medo e não se sente segura. A declaração foi dada na manhã desta quarta-feira (15), antes do início do julgamento do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, denunciado pelo Ministério Público como autor dos disparos que mataram o ex-presidente da OAB-MT.

Escalada para depor como testemunha de acusação no lugar da irmã, Renata Nery, que está em tratamento psicológico, Lívia disse que a família acredita que a justiça começou a ser feita, mas que a tranquilidade só virá após o julgamento de todos os envolvidos.

“Hoje eu me sinto segura? Não, ainda não. Eu vou prestar depoimento como testemunha de acusação. Será que algum dia vai ter uma retaliação por mim? Não sei”, declarou.

Segundo as investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Renato Nery foi executado em 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. O advogado chegou a ser socorrido, mas morreu no dia seguinte. A Polícia Civil concluiu que o homicídio foi motivado por uma disputa judicial envolvendo uma fazenda em Novo São Joaquim e teria sido encomendado mediante promessa de pagamento de R$ 200 mil.

Durante a entrevista, Lívia revelou que o medo começou logo após o crime. Ela contou que, dias depois da execução, perguntou a um delegado se a família estava protegida e recebeu uma resposta que jamais esqueceu.

“Quando eu perguntei se nós estávamos seguros, ele respondeu: ‘Não sei’. Nós passamos meses sem saber sobre a nossa vida. Não sabíamos se haveria novos ataques contra a nossa família”, relatou.

A filha do advogado também lembrou que continua trabalhando no escritório fundado pelo pai e passa diariamente pelo local onde ele foi baleado.

“Eu trabalho no escritório do meu pai. Todos os dias passo pelo lugar onde ele foi assassinado. A insegurança diminuiu, mas dizer que hoje eu me sinto segura, não. A gente ainda vive esse processo e espera que a tranquilidade venha quando todos os julgamentos terminarem”, afirmou.

Outro momento marcante da entrevista foi quando Lívia recordou os últimos momentos de Renato Nery. Emocionada, ela disse que não precisou assistir às imagens das câmeras de segurança para reviver a cena, porque presenciou o sofrimento do pai.

“Eu vi o meu pai rolando de dor, sangrando. Entrei na ambulância junto com ele. São cenas que jamais vou esquecer. Dois anos depois, parece que foi ontem”, disse.

Ao comentar o envolvimento de policiais militares no caso, Lívia afirmou que a situação tornou o crime ainda mais assustador, mas fez questão de diferenciar a atuação dos investigados do trabalho realizado pela Polícia Civil.

“A polícia que deveria nos trazer segurança foram quem executou o meu pai. No entanto, foi a Polícia Civil que conseguiu desvendar tudo isso. Eu não posso colocar toda a culpa na polícia. Foram pessoas que estavam ali dentro”, declarou.

Ela também afirmou acreditar que a motivação do assassinato foi realmente a disputa judicial envolvendo a propriedade rural e pediu que os jurados analisem atentamente as provas apresentadas durante o julgamento.

“A justiça precisa ser feita. No júri serão expostos todos os fatos”, disse.

Sobre o acusado de executar o crime, Lívia afirmou que não acredita que ele tenha agido sozinho.

“Ele não fez esse crime sozinho. Estamos falando de uma execução que exigiu organização. As investigações mostram isso”, afirmou.

Alex Roberto é o primeiro dos seis denunciados a ser levado a julgamento. Além dele, respondem pelo homicídio qualificado o casal de empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, apontados como mandantes, além dos policiais militares Heron Teixeira Pena Vieira, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Jackson Pereira Barbosa, acusados de organizar a execução, recrutar o atirador, fornecer a arma e intermediar os pagamentos. Todos permanecem presos preventivamente enquanto aguardam julgamento pelo Tribunal do Júri.


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