terça-feira, 19 - maio 2026 - 06:05



TRAGÉDIA

Entenda o caso dos mergulhadores italianos que morreram nas Maldivas


Maldivas
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As autoridades das Maldivas localizaram nesta segunda-feira (18) os corpos dos quatro mergulhadores italianos que permaneciam desaparecidos após um acidente durante uma expedição subaquática no Atol de Vaavu. A tragédia, considerada a mais grave envolvendo mergulho já registrada no arquipélago, também resultou na morte de um militar das equipes de resgate.

O grupo integrava uma expedição de mergulho formada por 25 italianos a bordo da embarcação Duke of York. O acidente ocorreu na última quinta-feira (14), durante uma exploração em uma caverna submarina localizada em grande profundidade.

O primeiro corpo encontrado foi o do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, localizado próximo à entrada da gruta. A descoberta levou as autoridades a concentrarem as buscas no interior da caverna.

Nesta segunda-feira, os socorristas confirmaram a localização dos corpos da professora e pesquisadora Monica Montefalcone, da filha dela, Giorgia Sommacal, do biólogo marinho Federico Gualtieri e da pesquisadora Muriel Oddenino.

Segundo o porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, os corpos foram encontrados na região mais profunda da caverna submarina, situada a cerca de 70 metros abaixo da superfície. A operação de retirada será realizada de forma gradual devido às condições extremas do local.

As buscas chegaram a ser interrompidas após a morte do sargento Mohamed Mahudhee, de 43 anos, integrante da equipe de resgate. As autoridades acreditam que ele sofreu complicações relacionadas à doença descompressiva durante uma das missões de recuperação.

A operação foi retomada com apoio de especialistas internacionais da DAN (Divers Alert Network), organização voltada à segurança no mergulho. A equipe utilizou scooters subaquáticas e equipamentos especiais de respiração para ampliar o tempo de permanência em profundidade.

De acordo com autoridades locais, a missão enfrentou fortes correntes marítimas, trechos estreitos dentro da caverna e ausência total de iluminação natural, fatores que aumentaram significativamente os riscos da operação.

Especialistas ouvidos pelas equipes de resgate apontam que a profundidade extrema, a possível perda de orientação no interior da caverna e o fenômeno conhecido como narcose por nitrogênio podem ter contribuído para o acidente. Em ambientes de mergulho profundo, a condição pode comprometer a percepção e dificultar decisões rápidas.

O governo das Maldivas abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do caso. Segundo as autoridades, mergulhos recreativos no país possuem limite legal de 30 metros de profundidade sem autorização especial. A entrada da caverna onde ocorreu o acidente já estaria localizada a quase 50 metros abaixo da superfície.

A licença da embarcação utilizada na expedição foi suspensa temporariamente até a conclusão das investigações.

O caso gerou forte comoção nas Maldivas e na Itália. O presidente malinês, Mohamed Muizzu, enviou condolências ao presidente italiano Sergio Mattarella e às famílias das vítimas.

As Maldivas recebem milhões de turistas anualmente e têm no mergulho uma das principais atividades do setor turístico. Autoridades locais classificaram o episódio como o mais grave acidente de mergulho da história recente do país.


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