quarta-feira, 12 - agosto 2026 - 18:01



DESABAFO ELEITORAL

Vídeo - Jayme expõe arrependimento por ter 'puxado mão' de Mauro em campanha


Thiago Rafael / Da Redação
Ton Molina/Agência Senado
Ton Molina/Agência Senado

O senador Jayme Campos (União) subiu à tribuna do Senado, nesta quarta-feira (12), para fazer duras críticas ao ex-governador Mauro Mendes (União) e ao grupo político ligado a ele após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga suspeitas envolvendo R$ 308 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso em um acordo relacionado à operadora Oi.

Em tom de desabafo, Jayme afirmou que sente “muita tristeza” ao ver Mato Grosso envolvido em uma investigação de repercussão nacional e chegou a pedir desculpas aos mato-grossenses por ter apresentado Mauro como candidato ao Governo do Estado em 2018.

“É muito triste ver nosso Estado estampado nas páginas policiais do país”, afirmou o senador.

Na sequência, Jayme relembrou que foi um dos responsáveis por apoiar a candidatura de Mauro ao Governo em 2018. Segundo ele, acreditava que o então candidato seria capaz de corresponder às expectativas da população.

“Eu acreditava que era um homem de bom caráter e que atenderia à expectativa do povo mato-grossense. Nós demos a oportunidade e, lamentavelmente, a este eleitor que confiou nele e que confiou no senador Jayme Campos, que o estava a puxar pela mão. Pedimos desculpas”, declarou.

A fala ocorre em meio ao rompimento político entre os dois caciques do União em Mato Grosso. No fim de julho, Jayme tentou emplacar sua candidatura ao governo do Estado, mas foi derrotado na convenção da federação União Progressistas. Por 30 votos a 19, os convencionais rejeitaram a candidatura própria e aprovaram o apoio ao projeto de reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos), tese defendida por Mauro Mendes.

A disputa interna vinha sendo travada havia meses. Enquanto Jayme buscava viabilizar seu nome ao Palácio Paiaguás, Mauro trabalhava para que a Federação apoiasse Pivetta.

Poucos dias após a derrota de Jayme na convenção, a Operação Heritage levou a Polícia Federal a cumprir mandados contra pessoas ligadas ao grupo político de Mauro Mendes. A investigação apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

Segundo as investigações, os R$ 308 milhões pagos pelo Estado em 2024, em um acordo com a Oi, teriam percorrido uma estrutura formada por fundos de investimento e empresas intermediárias. Reportagens anteriores apontaram relações entre parte desses recursos e empresas ligadas a familiares de Mauro Mendes e do deputado federal licenciado Fábio Garcia. As suspeitas são alvo de investigação e não representam, por si só, conclusão de responsabilidade criminal dos envolvidos.

Durante o discurso, Jayme afirmou que o valor investigado poderia ter sido utilizado em áreas essenciais para a população de Mato Grosso.

“Esse valor seria suficiente para implantar 4 mil UTIs, construir milhares de casas populares e escolas”, disse.

O senador também defendeu que as investigações sejam conduzidas sem distinção entre grupos políticos.

“Uma coisa precisa ficar clara: a lei deve valer para todos. Defendo uma investigação séria, profunda e célere. Se alguém meteu a mão no dinheiro público, deve responder pelos seus atos”, afirmou.

Jayme ainda aproveitou o discurso para falar sobre sua trajetória política e justificar a postura adotada diante do racha no União Brasil.

“Estamos aqui para servir ao povo. Digo isso com a tranquilidade de quem dedicou 40 anos da sua vida ao serviço público. Lealdade aos meus companheiros, mas, acima de tudo, aos meus eleitores”, declarou.

Ao final, o senador fez referência direta à derrota na convenção e afirmou que pretende cumprir o mandato no Senado até o fim de 2027.

“Sou democrata e respeito a decisão. Tenho uma longa história no partido. Nunca precisei mudar de lado de acordo com a conveniência do momento. Sempre mantive minha palavra e minhas convicções”, disse.

Jayme também afirmou que sua relação com Mato Grosso não depende de disputas eleitorais ou cargos políticos.

“Minha relação com Mato Grosso nunca dependeu de eleição, convenção ou cargo. É uma relação construída ao longo da minha vida”, concluiu.

Veja vídeos:


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