Isso torna tudo mais difícil. O abuso raramente começa com violência explícita. Ele se constrói aos poucos, com manipulação, com aproximação calculada, com o silêncio imposto. Por isso, proteger uma criança vai muito além de vigiar. É estar atento aos sinais, é criar um ambiente de confiança, é escutar com sensibilidade e, acima de tudo, acreditar.
Nós, como sociedade, precisamos romper com o tabu que ainda cerca esse tema. Fingir que isso não acontece é, na prática, permitir que continue acontecendo. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima. Cada adulto tem a responsabilidade de agir, de denunciar, de orientar e de proteger.
Eu reforço: nenhuma suspeita deve ser ignorada. O Disque 100 está disponível para denúncias anônimas e pode ser o primeiro passo para salvar uma vida. Não é preciso ter certeza absoluta para agir. Basta a dúvida e o compromisso com a proteção.
Maio Laranja é um chamado à consciência, mas também à ação. Não podemos falhar com nossas crianças e adolescentes. Proteger quem não consegue se defender sozinho não é uma escolha, é um dever de todos nós.
*Jannira Laranjeira é delegada de Polícia Civil



