- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 27 , MAIO 2026
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (Podemos), rebateu as críticas ao elevado número de servidores comissionados na Casa e afirmou que a estrutura atual é necessária para garantir o funcionamento do Legislativo estadual. Durante entrevista nesta quarta-feira (27), o deputado declarou que a Assembleia está dentro dos limites legais de gastos com pessoal e classificou os questionamentos sobre o tema como “conversa”.
A manifestação ocorre dias após um levantamento nacional divulgado pela Folha de S.Paulo apontar que a ALMT possui 3.164 servidores não concursados para atender os 24 deputados estaduais, ficando atrás apenas da Assembleia Legislativa de Goiás no ranking de cargos comissionados. Segundo a reportagem, a proporção equivale a cerca de 132 funcionários por parlamentar.
Questionado sobre o impacto da divulgação dos números na imagem da instituição, Russi descartou qualquer desgaste e defendeu o quadro de servidores.
“Precisamos trabalhar e prestar um serviço bom para a população. Estamos abaixo do limite. Poderíamos ter uma quantidade maior e não temos porque não há necessidade. Mas o serviço precisa ser bem executado”, afirmou.
O presidente destacou que diversos setores da Assembleia dependem da atuação dos servidores, citando a TV Assembleia, a rádio institucional e a Procuradoria Legislativa. Segundo ele, os deputados representam apenas uma parte da estrutura administrativa da Casa.
“Sem servidor público você não faz o trabalho. O deputado é uma parte da engrenagem da Assembleia, mas é o servidor público que toca esse trabalho”, declarou.
Russi também contestou a informação de que o Legislativo mato-grossense estaria entre os que mais possuem comissionados no país. Segundo ele, os dados têm sido apresentados de forma equivocada.
“A informação é errada. A Assembleia não está nem entre as dez do Brasil em número de servidores comissionados. Muitas vezes os dados são colocados de uma forma que não condiz com a realidade efetiva do que existe dentro do Poder Legislativo”, argumentou.
Concurso público em 2027
Durante a entrevista, o presidente confirmou ainda que a Assembleia pretende realizar um concurso público em 2027. De acordo com Russi, a intenção inicial era lançar o edital ainda neste ano, mas a proximidade do período eleitoral poderia gerar debates políticos em torno do processo.
Atualmente, a Casa realiza um levantamento interno para identificar a necessidade de pessoal em cada setor.
“Queria lançar neste ano, mas, em virtude da questão política, haveria muita discussão nesse sentido. Estamos levantando setor por setor a necessidade. Assim que o Recursos Humanos concluir esse trabalho, nos próximos três ou quatro meses, vamos anunciar a programação e realizar o concurso público”, disse.
O debate sobre a quantidade de cargos de confiança nas Assembleias Legislativas ganhou força após o levantamento nacional mostrar que 14 das 18 Casas legislativas estaduais analisadas possuem proporções de comissionados superiores às praticadas na Câmara dos Deputados. Especialistas ouvidos pela reportagem alertaram que estruturas excessivamente dependentes de indicações políticas podem comprometer a eficiência administrativa e ampliar riscos de irregularidades. A Mesa Diretora da ALMT, por sua vez, sustenta que todas as contratações seguem os critérios legais e são necessárias para atender as demandas regionais do estado.