- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 13 , AGOSTO 2026
Morador de Várzea Grande há 30 anos, o pedreiro Odilio Domingos da Silva, de 50 anos, afirmou que a população já está descrente diante dos problemas no abastecimento de água no município. Para ele, a situação se agravou ao longo dos anos, independentemente das mudanças de prefeito. “Vem, passa ano, sai prefeito, entra prefeito e a coisa só está piorando. A população de Várzea Grande é uma população muito sofrida, não acredita mais. Já jogou a toalha”, afirmou Odilio durante audiência pública realizada para discutir a situação do abastecimento de água na cidade.
Segundo o morador da Vila Arthur, a distribuição de água no bairro, que antes ocorria em dias alternados, passou a ser cada vez mais irregular. Atualmente, segundo ele, os moradores não conseguem sequer prever quando terão água nas torneiras.
“Um ano atrás, no meu bairro, a água era um dia sim, um dia não. Passou, era terça e quinta. Passou para quinta-feira. Hoje, você não sabe o dia que vai dar água na Vila Arthur. Pode ser na quinta, pode ser no sábado, pode ser no domingo, pode ser de madrugada. Não tem dia de dar água”, relatou.
Odilio explicou que, quando o abastecimento é retomado em uma parte do bairro, ele precisa permanecer em casa para tentar aproveitar o período em que a água chega à região onde mora.
“Eu não posso sair. Pode ser um domingo, você não pode sair da casa porque a água vai vir. Ou, se você sair, você tem que comprar água”, disse.
Gasto com água
A falta de regularidade no abastecimento também pesa no bolso do morador. Pedreiro e mestre de obras, Odilio afirma que precisa comprar água para conseguir manter as atividades profissionais. Ele explicou os gastos variam entre R$ 320 e R$ 480 por semana com água, incluindo a compra de caminhões-pipa. O custo mensal, conforme o relato, chega a aproximadamente R$ 1,2 mil a R$ 1,4 mil.
“Eu pago R$ 120 no mil litros de água. Por mês, eu tenho que comprar entre duas e três vezes. Eu gasto por mês uma média de R$ 1.200 a R$ 1.400 de água”, afirmou.
Para o pedreiro, a situação também afeta a capacidade de Várzea Grande atrair empresas que dependem do abastecimento regular.
“Qual empresa que depende de água vai se instalar em Várzea Grande?”, questionou.
Crítica à concessão
Odilio também se posicionou contra a possibilidade de concessão dos serviços de água e esgoto do município. Para ele, a medida representaria uma transferência de responsabilidade que deveria ser enfrentada pelo poder público.
O morador defendeu que o Governo de Mato Grosso participe da solução e afirmou que o Estado teria condições financeiras para ajudar na recuperação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande.
“O governo do Estado tem o aporte financeiro para fazer o investimento que o DAE necessita. Se ele quiser, ele pode resolver o problema do DAE”, afirmou.
Ele também sugeriu a criação de um consórcio para buscar recursos e investimentos para o sistema de abastecimento.
“Se o governo do Estado quiser resolver o problema de Várzea Grande, ele resolve. Porque ele tem dinheiro, ele tem o crédito”, disse.
Ao criticar a concessão, Odilio fez uma comparação com outros serviços públicos e afirmou que a medida não deveria ser tratada como solução automática para os problemas do município.
“Fazer a concessão é muito fácil, qualquer um faz”, afirmou.
A fala ocorreu durante audiência pública realizada em Várzea Grande para discutir a crise no abastecimento de água e as alternativas para melhorar o serviço. O problema é antigo no município e tem atravessado diferentes administrações municipais, com bairros enfrentando períodos de irregularidade no fornecimento.
Veja: