- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 5 , NOVEMBRO 2026
Uma organização criminosa especializada em furtar caixas eletrônicos, utilizando lança térmica para romper cofres e produtos químicos para retirar a tinta de segurança das cédulas, é alvo da Operação Círculo Vicioso, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (5). A ação prevê o cumprimento de 74 medidas judiciais, incluindo 10 mandados de prisão preventiva, em Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão.
As ordens judiciais também incluem 18 mandados de busca e apreensão domiciliar, 18 autorizações para acesso a dados de dispositivos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 bloqueios de ativos financeiros que somam aproximadamente R$ 240 mil. As diligências ocorrem em Cuiabá, Rondonópolis, Joinville (SC) e São Luís (MA).
As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), começaram após um furto registrado na madrugada de 21 de janeiro de 2026, em um caixa eletrônico instalado dentro de um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande.
Na ocasião, os criminosos utilizaram uma lança térmica, ferramenta industrial capaz de cortar materiais resistentes, para romper o cofre do equipamento. Mesmo com o acionamento do sistema de segurança, que libera tinta sobre as cédulas para inutilizá-las, os suspeitos conseguiram levar R$ 105 mil.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou outros cinco ataques com características semelhantes, totalizando seis furtos praticados entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026 em Cuiabá e Várzea Grande. O grupo também utilizava lonas para esconder a luminosidade produzida pela lança térmica e, em algumas ações, arrombava paredes para chegar aos equipamentos.
Lavagem de dinheiro
Conforme a investigação, a organização criminosa era dividida em núcleos responsáveis pela execução dos furtos, lavagem das cédulas, utilização de equipamentos tecnológicos e recebimento dos valores ilícitos.
Após os ataques, integrantes do grupo utilizavam produtos químicos e outros materiais para retirar fisicamente a tinta de segurança das notas. Em seguida, o dinheiro era depositado de maneira fracionada em diferentes agências bancárias, estratégia conhecida como smurfing, utilizada para dificultar a identificação da origem criminosa dos recursos.
Os valores eram distribuídos entre integrantes e terceiros, que recebiam depósitos em suas contas bancárias. A análise de imagens de câmeras de segurança e outros elementos de investigação ajudou a identificar a participação dos suspeitos nas diferentes etapas do esquema.
Atuação em outros estados
A apuração também apontou que integrantes da organização moravam em outros estados, especialmente em Santa Catarina, e se deslocavam até Mato Grosso para executar os furtos. Os investigados ainda apresentavam conexões com práticas criminosas anteriores no Rio de Janeiro e em Alagoas.
A decisão judicial autorizou o bloqueio de ativos financeiros até o limite de R$ 239.980,52, valor correspondente aos prejuízos quantificados em quatro dos furtos investigados. A quantia poderá ser reavaliada conforme o avanço das análises financeiras.
A operação conta com apoio das Polícias Civis de Santa Catarina e do Maranhão, além da Polícia Rodoviária Federal (PRF).