- CUIABÁ
- SÁBADO, 7 , NOVEMBRO 2026
O presidente afastado do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, tenta reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva decretada durante a Operação Tomada de Contas. O pedido de habeas corpus foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para emissão de parecer, antes de uma decisão sobre a liberdade do conselheiro.
O despacho foi publicado na quinta-feira (5). Sérgio Ricardo está preso desde 29 de outubro, quando a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa dentro do órgão responsável pela fiscalização das contas públicas de Mato Grosso.
O conselheiro permanece custodiado em uma sala de Estado-Maior no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em Cuiabá.
A tentativa de deixar a prisão também foi adotada por outros investigados. A ex-chefe de gabinete Roseli Loss, o ex-consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia e o ex-secretário executivo Adriangelo Barros Antunes apresentaram pedidos de habeas corpus ao Supremo.
A PGR já se manifestou contrariamente à soltura de Grhegory, apontado pelos investigadores como um dos principais articuladores financeiros do suposto esquema.
Saques milionários
Entre os elementos reunidos pela Polícia Federal estão movimentações financeiras atribuídas a Sérgio Ricardo que ultrapassam R$ 15 milhões em dinheiro vivo.
Segundo os investigadores, o conselheiro teria realizado 150 saques entre janeiro e outubro de 2025, totalizando aproximadamente R$ 15,6 milhões. A maior parte das retiradas ocorreu em uma agência do Sicoob instalada nas dependências do próprio Tribunal de Contas.
Imagens de câmeras de segurança também integram a investigação. Em um dos episódios, registrado em setembro de 2025, Sérgio Ricardo teria acompanhado uma retirada de R$ 500 mil em espécie, na presença de Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes.
A suspeita da Polícia Federal é de que contratos administrativos tenham sido utilizados para pressionar fornecedores e direcionar pagamentos a empresas que aceitassem devolver parte dos valores recebidos.
Os recursos teriam sido movimentados por meio de operações bancárias fora da folha regular de pagamentos do Tribunal e posteriormente convertidos em dinheiro vivo.
Operação atingiu a cúpula do TCE
Autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Operação Tomada de Contas cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Além de Sérgio Ricardo, foram presos Roseli Loss, Grhegory Paiva, Adriangelo Barros, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.
Com o afastamento do presidente, o conselheiro Waldir Teis assumiu o comando do TCE-MT e promoveu mudanças na estrutura administrativa, incluindo a exoneração de servidores investigados.
O encaminhamento do habeas corpus para manifestação da PGR não altera a situação prisional de Sérgio Ricardo. A eventual concessão de liberdade depende de decisão do Supremo, enquanto as investigações sobre o suposto esquema continuam.