- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 21 , OUTUBRO 2026
A possível concessão ou privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande poderia resultar no pagamento de aproximadamente R$ 500 mil a cada vereador, segundo relato citado na investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Cathedra Venalis. A apuração investiga suspeitas de corrupção e compra de votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal.
Conforme trecho do depoimento anexado aos autos, o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), teria manifestado interesse na concessão ou privatização do DAE e mencionado a possibilidade de distribuir valores aos parlamentares caso a operação fosse concretizada após a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL). Isso porque, caso o processo seguisse, o chefe do Legislativo é quem assumiria a cadeira da prefeita.
O relato integra a hipótese investigativa de que articulações políticas para garantir apoio à reeleição de Wanderley poderiam estar relacionadas a interesses econômicos envolvendo a administração municipal. A investigação busca esclarecer se houve promessa de vantagens indevidas para influenciar o posicionamento dos vereadores em decisões políticas e administrativas.
“Relatou, ainda, que Wanderley manifestava interesse na concessão ou privatização do DAE e teria mencionado a possibilidade de distribuição de valores aos vereadores, estimando a quantia de aproximadamente R$ 500.000,00 para cada parlamentar, caso a operação fosse concretizada”, disse.
A Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na terça-feira (20), investiga uma suposta organização criminosa na Câmara Municipal de Várzea Grande, suspeita de negociar vantagens indevidas para garantir a reeleição do presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB). A ação cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, tendo como alvos 13 vereadores de Várzea Grande e dois parlamentares da Capital.
Conforme informações divulgadas sobre o inquérito, a investigação apura suspeitas de pagamento de um “mensalinho” de R$ 10 mil a vereadores, distribuição de cargos comissionados e promessa de vantagens financeiras que poderiam chegar a R$ 500 mil por parlamentar, relacionadas a possíveis articulações envolvendo o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG). Os investigadores também apuram relatos de cartas de renúncia assinadas em branco e gravações clandestinas que teriam sido usadas para pressionar parlamentares a manter apoio político ao grupo.
As apurações tiveram entre os pontos de partida uma denúncia sobre uma reunião de vereadores em uma chácara, na região do Distrito da Guia, às vésperas da eleição da Mesa Diretora. A votação ocorreu em maio de 2026 e terminou com a vitória de Wanderley por 12 votos a 11, mas foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A operação busca reunir provas sobre as suspeitas de corrupção, coação, extorsão e outros possíveis crimes contra a administração pública. Os fatos ainda estão sob investigação e as suspeitas não representam, por si só, comprovação de culpa dos citados.