- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 7 , MAIO 2026
O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) negou, nesta quarta-feira (6), qualquer participação em um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares investigado na Operação Emenda Oculta, deflagrada pelo Ministério Público do Estado (MPE). Alvo da ação, o parlamentar afirmou que os valores encontrados durante buscas em sua residência são legais e devidamente declarados à Receita Federal. Na operação, realizada na última quinta-feira (30), policiais apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos e R$ 150 mil em dinheiro em espécie.
Segundo Elizeu, o montante seria utilizado em sua pré-campanha à reeleição. “É normal, até porque está declarado. Se fosse ilícito, não estaria declarado e poderia levantar alguma suspeita”, disse durante coletiva na Assembleia Legislativa.
O deputado explicou ainda que a prática de manter recursos em espécie pode ocorrer no período eleitoral. “Você pode ter o recurso na conta ou em mãos e, no momento oportuno, fazer a doação de si para si mesmo, dentro da declaração de imposto de renda”, afirmou.
A investigação também atinge o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União), irmão do deputado, e o empresário João Nery Chiroli, dono da Chiroli Esportes.
De acordo com o Ministério Público, Elizeu destinou mais de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Social Mato-grossense (Ismat), entidade suspeita de integrar o esquema. O deputado, por sua vez, sustenta que os recursos foram aplicados na compra de uniformes para alunos de escolas militares.
“Estamos falando de investimentos ao longo de três anos, que resultaram na entrega de cerca de 22 mil kits de uniformes para mais de 25 escolas militares no estado”, afirmou.
As investigações apontam, no entanto, que parte dos valores teria sido sacada em dinheiro pelo empresário e, posteriormente, repassada a agentes públicos. Um dos episódios citados indica que, após um saque de R$ 350 mil, o empresário teria entrado em um veículo ligado ao deputado.
Elizeu disse que ainda não teve acesso ao processo, mas reafirmou confiança na própria inocência. “Posso garantir que não devo à Justiça. Estou aqui para prestar esclarecimentos, apesar do impacto inicial da situação”, declarou.
Além dos parlamentares e do empresário, também são investigados dirigentes de institutos e um assessor da Assembleia Legislativa. A operação inclui medidas como quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de contas e indisponibilidade de bens.
A ação é conduzida por órgãos de combate à corrupção, com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado.
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