- CUIABÁ
- DOMINGO, 20 , SETEMBRO 2026
O candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) ironizou o senador Carlos Fávaro (PSD) e questionou se o adversário teria coragem de votar pelo impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O embate ocorreu durante o debate da TV Vila Real, na quinta-feira (17), em meio às discussões sobre a crise envolvendo integrantes da Corte.
Ao responder a uma pergunta sobre se votaria pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, Fávaro afirmou que o Brasil vive uma “maior crise das instituições” e defendeu o afastamento do magistrado para que ele pudesse ser investigado. “O ministro da Suprema Corte, Alexandre de Moraes, já deveria ter pedido afastamento do cargo para poder ser investigado com total transparência. Não o fez. O Senado Federal, então, tem que fazer a sua parte”, afirmou.
Fávaro também disse cobrar do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), a instalação de uma CPI e a abertura de processos de impeachment contra os envolvidos no caso.
“Eu defendo a reforma do Poder Judiciário com rigidez e impeachment para criminoso independente”, declarou.
Na réplica, Galvan questionou a disposição de Fávaro para adotar a mesma postura quando estivesse no Senado. “É importante a gente deixar claro e mostrar a diferença do candidato Carlos Fávaro e do senador Carlos Fávaro. O senador Carlos Fávaro voltou às pressas para a CPMI do INSS para blindar o Lulinha. O que dirá, imagine, você conseguiria imaginar ele votando impeachment de ministro? Não dá para acreditar, né?”, disparou.
Galvan ainda ironizou a postura do adversário ao citar a utilização de símbolos associados a diferentes grupos políticos.
“Aliás, o senador Carlos Fávaro tem andado por aí com ônibus verde, amarelo, azul e branco. Mas quando ele chega lá, ele põe o boné do MST”, disse.
Fávaro rebate
Na tréplica, Fávaro negou ter retornado à CPMI do INSS para atuar em favor de qualquer pessoa e afirmou que sequer era integrante da comissão. “Eu nem membro da comissão era. Eu não voltei para a comissão porque eu não era nem membro, eu voltei para pegar a presidência mista do preço mínimo do frete, uma medida provisória tão importante para os caminhoneiros brasileiros”, afirmou.
O senador disse ainda que trabalhou para construir um acordo em torno da medida e destacou a aprovação de uma legislação voltada aos caminhoneiros.
“Pela primeira vez em 30 anos, nós tivemos uma lei que atende essa categoria tão desprezada que literalmente carrega o Brasil nas costas”, completou.
Crise no STF
O confronto ocorreu em um momento de tensão no Supremo envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. Um relatório da Polícia Federal, produzido a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro, levou ao STF questionamentos sobre supostos diálogos relacionados a Moraes. O ministro nega irregularidades e afirmou que não havia, até a sessão de 15 de setembro, pedido formal da PF ou da Procuradoria-Geral da República para investigá-lo.
Naquela sessão, o plenário discutiu se os casos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente. O debate foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino, sem que o mérito das suspeitas contra Moraes fosse analisado.
O episódio também provocou pedidos de impeachment de Moraes no Senado. Em setembro, novos requerimentos foram apresentados por parlamentares, ampliando o número de pedidos protocolados contra o ministro.
Foi nesse contexto que Galvan e Fávaro travaram o embate sobre a posição que cada um adotaria diante de um eventual processo de impeachment no Senado.
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