- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 18 , JUNHO 2026
O incêndio de grandes proporções que destruiu o almoxarifado central e o centro de distribuição da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, na noite desta quarta-feira (17), ganhou desdobramentos políticos. Enquanto o depósito ardia, o vereador Wender Madureira (Republicanos) publicou um vídeo relacionando o incêndio a uma fiscalização realizada por ele no local na semana anterior.
Em frente ao prédio em chamas, o parlamentar afirmou considerar “muita coincidência” o incêndio ocorrer poucos dias após a vistoria conduzida por ele e pelo vereador Feitoza (PSB). Durante a fiscalização, os parlamentares relataram ter encontrado livros didáticos, uniformes escolares e outros materiais armazenados no imóvel.
Na sessão da Câmara Municipal de terça-feira (16), o vereador detalhou os resultados da inspeção no depósito. Segundo ele, foram encontrados livros didáticos adquiridos em anos anteriores, além de aproximadamente 10 mil uniformes escolares com a identidade visual da gestão passada.
O parlamentar também informou que questionou a Secretaria de Educação sobre a destinação dos materiais e a transferência de móveis e equipamentos públicos para outro imóvel. Conforme o relato na tribuna, não foram fornecidos documentos ou relatórios solicitados durante a diligência, o que levou os vereadores a acionarem a Polícia Militar e registrarem um Boletim de Ocorrência (B.O.).
Diante do incêndio, Wender afirmou que a destruição do prédio pode representar prejuízos ao patrimônio público e cobrou uma investigação rigorosa sobre as causas do fogo, levantando a hipótese de uma possível “queima de arquivo”.
“Depois da nossa fiscalização, encontramos muitos uniformes, livros e outros materiais armazenados aqui. Agora o prédio pegou fogo. Eu acredito que pode ser uma queima de arquivo. Vamos apurar, denunciar aos órgãos competentes e acompanhar as investigações”, declarou o vereador.
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), também defendeu uma apuração detalhada sobre as causas do incêndio. Segundo ele, o fato de o imóvel ser relativamente novo levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos pelos órgãos responsáveis.
“Vamos esperar a perícia, porque um barracão novo pegar fogo dessa forma precisa de uma investigação muito bem feita. O dinheiro público é do povo de Várzea Grande e nós queremos respostas”, afirmou.
Por outro lado, a secretária municipal de Educação, Maria Fernanda Figueiredo, demonstrou emoção ao falar sobre a destruição da estrutura e criticou o que classificou como tentativas de exploração política do episódio.
“Estou muito abalada. Sou profissional da educação e ver isso acontecer dói ainda mais. É uma tragédia para a educação de Várzea Grande”, disse.
A secretária informou que o galpão armazenava materiais destinados às unidades escolares da rede municipal, como mobiliários, brinquedos, livros, equipamentos e itens que seriam utilizados em novas escolas e creches.
“Ali estavam cadeiras, geladeiras, brinquedos, parquinhos, livros, materiais escolares e equipamentos para escolas que estão sendo inauguradas. Havia também ar-condicionados, freezers e outros itens já adquiridos para as unidades”, relatou.
Questionada sobre as declarações de vereadores que associaram o incêndio à fiscalização realizada recentemente no local, Maria Fernanda afirmou que um empresário da região teria relatado a possibilidade de curto-circuito na rede elétrica e criticou a utilização política do episódio antes da conclusão das investigações.
A prefeita Flávia Moretti (PL) também acompanhou a ocorrência e afirmou que a prioridade da administração municipal é colaborar com o trabalho das autoridades responsáveis pela apuração.
“As autoridades vão fazer o seu trabalho. O Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e a Politec vão investigar. Depois da apuração, vamos nos manifestar. Agora, nossa preocupação é solucionar os problemas causados pelo incêndio”, declarou.
Ao ser questionada sobre a possibilidade de incêndio criminoso, a prefeita evitou especulações e reforçou que qualquer conclusão dependerá dos laudos periciais.
Flávia Moretti informou ainda que o município fará um levantamento para calcular os prejuízos causados pelo incêndio, mas afirmou que ainda não há estimativa oficial dos danos materiais.
As causas do incêndio serão investigadas pela Polícia Civil, pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e pelo Corpo de Bombeiros. Até o momento, não há confirmação sobre o que provocou o fogo.