- CUIABÁ
- DOMINGO, 6 , SETEMBRO 2026
O presidente da Câmara de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), afirmou que não teme uma eventual operação policial e negou ter se apropriado de recursos públicos. Durante discurso, o parlamentar declarou que devolveu cerca de R$ 855 mil do orçamento da Câmara à Prefeitura ao final do ano passado e utilizou o valor como argumento para rebater suspeitas levantadas contra sua gestão.
A manifestação ocorreu após Wanderley relatar que teria recebido informações sobre uma possível operação policial contra ele. Conforme o vereador, pessoas próximas, inclusive da área de segurança, teriam percebido que ele estaria sendo seguido por um veículo. Posteriormente, teria chegado até ele a informação de que uma ação policial poderia ser realizada e de que existiria um suposto dossiê relacionado ao seu nome. O episódio também foi relatado pelo parlamentar às autoridades.
Ao comentar a possibilidade de ser investigado, Wanderley afirmou que não tem motivos para temer as autoridades e disse acreditar que a própria documentação da Câmara demonstra que não houve apropriação de dinheiro público.
“Deus já pensou que seja a polícia, que está me investigando, porque eu não devo, eu não devo nada. Porque ano passado, eu devolvi, está aqui ó, quanto eu devolvi ano passado? R$ 854 mil, R$ 855 mil eu devolvi em dezembro, porque eu não sou ladrão de dinheiro público”, declarou.
Segundo o presidente, parte dos recursos devolvidos estaria relacionada à reforma da sede do Legislativo. Wanderley afirmou ainda que a Câmara quitou despesas e rescisões de servidores ao longo do período.
“Eu devolvi, devolvi, devolvi esse dinheiro, eu paguei todas as rescisões do ano passado”, afirmou.
O presidente também disse que, além da devolução do dinheiro, a gestão da Câmara arcou com despesas relacionadas às rescisões de servidores, que, segundo ele, somaram mais de R$ 2,7 milhões.
Denúncias e investigações
A declaração ocorre em meio a uma sequência de questionamentos e denúncias envolvendo a administração de Wanderley à frente da Câmara de Várzea Grande.
Em maio, o site FatoAgora publicou reportagem sobre áudios atribuídos ao presidente da Casa, que ele classificou como parte de uma “onda de fake news” destinada a desgastar sua imagem. Na ocasião, Wanderley afirmou que as acusações eram falsas e disse não responder a processos civis ou criminais. A publicação também relatou que, até aquele momento, não havia sido apresentada prova concreta das acusações mencionadas nas gravações.
Mais recentemente, o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) passou a analisar denúncias envolvendo contratos e gastos realizados durante a gestão de Wanderley na presidência da Câmara. Segundo reportagem publicada em maio, duas representações externas foram protocoladas e tramitavam sob sigilo, sob relatoria do conselheiro Antonio Joaquim. Uma delas tratava de questionamentos relacionados à obra da nova sede do Legislativo.
A Câmara também já foi alvo de uma denúncia por quebra de decoro contra Wanderley, apresentada no início deste ano. O plenário, porém, rejeitou a representação por 17 votos a 1, com duas abstenções, e determinou o arquivamento do caso.
Câmara no centro de embates
A declaração ocorre poucos dias após Wanderley protagonizar um bate-boca com o vereador Rogerinho da Dakar (PSDB), líder da prefeita Flávia Moretti (PL) na Câmara. Durante a discussão, o presidente voltou a citar os R$ 854 mil devolvidos ao Executivo e questionou onde estaria o dinheiro.
O embate aconteceu durante discussão sobre a situação financeira de Várzea Grande e um projeto de suplementação de R$ 16 milhões para o Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG). Na ocasião, Wanderley também questionou um contrato da autarquia que, segundo ele, teria passado de cerca de R$ 800 mil para R$ 3,8 milhões durante a gestão de Rogerinho no DAE.