quarta-feira, 7 - janeiro 2026 - 16:50

Programa com Mounjaro de graça deve ser concluído no 1º trimestre, diz Abilio


Abilio Brunini – Shutterstock
Abilio Brunini – Shutterstock

ALLAN MESQUITA
Reportagem

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), prevê que o programa de emagrecimento com a oferta gratuita do medicamento Mounjaro à população cuiabana esteja pronto no primeiro trimestre de 2026, após a prefeitura concluir uma série de etapas burocráticas e técnicas exigidas pelo serviço público de saúde. A estimativa foi dada em entrevista à imprensa nessa terça-feira (6).

Segundo o gestor, os recursos para a iniciativa já foram empenhados no fim de 2025, mas o município ainda trabalha na finalização dos protocolos que vão garantir segurança, continuidade do tratamento e acompanhamento adequado dos pacientes.

O financiamento do programa soma R$ 2,4 milhões. “Nós empenhamos o recurso no final de 2025 e agora nós estamos ainda finalizando os procedimentos para o protocolo… O nosso projeto está bem avançado. Eu espero que a gente termine no primeiro trimestre agora de 2026. Torço para que esteja tudo certo. Da minha parte, já estava pronto. Na iniciativa privada isso é muito mais fácil.”, afirmou o prefeito.

Abilio reforçou que, apesar de o Mounjaro ser um medicamento legal, seguro e aprovado pelos órgãos de vigilância sanitária, o fato de ele não integrar o rol de medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cria um obstáculo técnico para sua implementação como política pública.

O tema não se restringe ao âmbito municipal. O Governo de Mato Grosso também estuda a implantação de um programa semelhante para o tratamento da obesidade e da diabetes com o uso do Mounjaro na rede pública estadual.

“Você percebe que muitos gestores falam sobre isso. A gente já viu agora o secretário estadual de Saúde falar sobre isso também. Nós vimos também que o governo federal está falando sobre isso. Todos estão buscando uma alternativa”, continuou.

O lançamento oficial do programa já foi adiado mais de uma vez, justamente para permitir ajustes técnicos e a criação de uma estrutura de suporte adequada. O prefeito disse que mantém diálogo com a Universidade de Cuiabá (Unic) e com o Hospital Geral Universitário (HGU) para a construção de uma rede de apoio especializada, voltada ao monitoramento de possíveis efeitos adversos do medicamento.

De acordo com o liberal, o principal impasse está na necessidade de criar, do zero, diretrizes clínicas, critérios de acesso e um plano que assegure a continuidade do tratamento, evitando interrupções que possam colocar a saúde dos pacientes em risco.

“É claro que o estabelecimento de um protocolo, de um medicamento novo, que ele não é no rol taxativo ou no rol de medicamentos disponibilizados pelo SUS, estabelece uma certa cautela. Todos os médicos e responsáveis pelo serviço público têm preocupação com a forma como isso vai se dar”, pontuou.

O programa

De iniciativa da vereadora Michelly Alencar, o projeto pretende fazer de Cuiabá uma das primeiras cidades do Brasil a incorporar o Mounjaro como política pública de combate à obesidade. O programa municipal prevê a combinação de medicação e acompanhamento físico, com duração total de sete meses:

1º mês: atividades físicas específicas para pessoas com obesidade grau 3, acompanhadas pela Secretaria Municipal de Esporte;

6 meses seguintes: distribuição do Mounjaro (tirzepatida), com acompanhamento médico e manutenção das atividades físicas.

Nesta primeira etapa, devem ser ofertadas entre 150 e 200 vagas, financiadas inicialmente pela emenda de R$ 1,2 milhão da vereadora Michelly Alencar, responsável por estruturar o formato do programa em conjunto com médicos, educadores físicos e as secretarias municipais de Saúde e Esportes.

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