- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 15 , JULHO 2026
A proposta do Governo de Mato Grosso de conceder à iniciativa privada trechos das rodovias MT-060 e MT-451, com possibilidade de implantação de pedágio entre Nossa Senhora do Livramento e Poconé, enfrentou forte reação na Assembleia Legislativa (ALMT). Durante a sessão plenária desta quarta-feira (15), parlamentares criticaram a medida e defenderam sua suspensão.
O presidente da ALMT, deputado Max Russi (Podemos), classificou a iniciativa como inadequada e afirmou que a cobrança de pedágio traria prejuízos aos pequenos produtores rurais, ao turismo e aos moradores da região.
“Entre Livramento e Poconé está uma das principais regiões de agricultura familiar e de acesso ao Pantanal. Não há justificativa para implantar um pedágio que apenas aumentará os custos para a população e criará mais dificuldades ao desenvolvimento regional”, afirmou o parlamentar. Segundo Russi, o prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Dr. Thiago (União Brasil), entrou em contato para manifestar preocupação com a proposta.
O projeto do Executivo previa a inclusão de 124,83 quilômetros das rodovias MT-060 e MT-451 no Lote F da segunda etapa do Programa de Concessões Rodoviárias 2023-2026. A medida abriria caminho para que a administração dos trechos fosse transferida à iniciativa privada, permitindo futuramente a instalação de praças de pedágio.
Max Russi defendeu uma mobilização da Assembleia para impedir o avanço da proposta. Segundo ele, a prioridade deve ser a melhoria da infraestrutura da região sem impor novos custos aos produtores rurais e moradores.
“A Assembleia Legislativa precisa se posicionar. A região precisa de investimentos e desenvolvimento, não de mais despesas para quem depende diariamente dessas rodovias”, declarou.
Diante da repercussão negativa e da pressão exercida por deputados e representantes da população, o deputado Diego Guimarães (Republicanos), integrante da base governista, afirmou que o Governo do Estado deverá suspender, ao menos temporariamente, o andamento da proposta.
Como reflexo da decisão, o Executivo também cancelou a audiência pública virtual marcada para o dia 21 de julho, que discutiria a concessão dos trechos rodoviários e a eventual implantação de pedágios.
Além de impactar diretamente os municípios de Nossa Senhora do Livramento e Poconé, a medida também atingiria moradores, produtores rurais e empreendedores das comunidades de Cangas, Chumbo, Campina de Pedra e Figueira, que utilizam diariamente o corredor rodoviário para o transporte de pessoas e mercadorias.