quarta-feira, 15 - julho 2026 - 20:06



BRT

Sinfra justifica obra: manter população em contêineres seria injusto


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O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), Marcelo de Oliveira, afirmou que o acréscimo de aproximadamente R$ 50 milhões no custo das estações e paradas do Sistema BRT (Bus Rapid Transit), entre Cuiabá e Várzea Grande, foi motivado por mudanças no projeto para garantir mais conforto aos usuários.

Segundo o secretário, as alterações foram necessárias para adequar as estruturas às condições climáticas da região e oferecer um ambiente mais adequado à população.

“Já disse isso antes e repito: deixar a população dentro de um contêiner não é justo. As pessoas terão estações confortáveis e compatíveis com a realidade de Cuiabá”, afirmou.

As declarações foram feitas na segunda-feira (13), pouco antes de Marcelo deixar a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), convocada pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT) para discutir os custos e o andamento das obras do BRT. Ao deixar o encontro, o secretário afirmou que estava “muito nervoso” e que permanecer na audiência poderia fazê-lo “infartar”.

O primeiro edital para a construção das 77 estações e paradas do sistema foi lançado, por meio de dispensa de licitação, em setembro de 2025, com investimento estimado em R$ 68 milhões. Três meses depois, um novo contrato foi firmado com a empresa Lotufo Engenharia e Construções, elevando o valor para cerca de R$ 120 milhões.

Marcelo explicou que o novo projeto incorporou itens que não estavam previstos inicialmente, como vidros com maior proteção térmica, sistema de climatização, forro, piso adequado e outras melhorias voltadas ao conforto dos passageiros.

De acordo com ele, as mudanças também ocorreram porque o projeto anterior apresentou deficiências técnicas, o que levou o Governo do Estado a promover adequações antes do início da execução das estruturas.

Deputado contesta justificativas

O aumento no valor das estações motivou o deputado Lúdio Cabral a protocolar uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), solicitando a apuração dos custos da contratação.

Na avaliação do parlamentar, as explicações apresentadas pela Secretaria de Infraestrutura não demonstram, de forma suficiente, a necessidade do acréscimo de aproximadamente R$ 50 milhões.

Segundo Lúdio, o secretário adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano, Isaac Nascimento Filho, que permaneceu na audiência após a saída de Marcelo de Oliveira, citou melhorias como reforço no sistema de ar-condicionado, mudanças na espessura dos vidros e novas portas de acesso, mas esses itens, na visão do deputado, não justificam o aumento do contrato.

O parlamentar também destacou que informações fornecidas pela própria Sinfra apontam que cerca de 90% do custo das estações está concentrado na estrutura metálica, considerada o principal componente da obra.

Histórico do empreendimento

O corredor de transporte entre Cuiabá e Várzea Grande começou a ser implantado em 2012, quando o projeto original previa a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para atender à demanda de mobilidade urbana durante a Copa do Mundo de 2014.

A obra, entretanto, nunca foi concluída e passou a acumular atrasos, sucessivos aditivos contratuais e investigações sobre suspeitas de corrupção e superfaturamento, tornando-se um dos principais impasses da infraestrutura em Mato Grosso.

Em 2020, o Governo do Estado decidiu substituir definitivamente o projeto do VLT pelo Sistema BRT, atualmente em fase de implantação.


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