segunda-feira, 4 - maio 2026 - 08:39



LIGAÇÕES FANTASMAS

TJ manda investigar Flávia Moretti por suposto esquema de corrupção no DAE


Allan Mesquita / Da Redação
Prefeita da Várzea Grande, Flávia Moretti
Prefeita da Várzea Grande, Flávia Moretti

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) autorizou a abertura de inquérito policial para investigar a prefeita de Várzea Grande, Flávia Petersen Moretti (LL), por suposto esquema de corrupção e “religações fantasmas” na autarquia. A decisão foi assinada pelo desembargador Orlando de Almeida Perri e atende a um pedido do Ministério Público Estadual (MPE).

De acordo com a decisão, há indícios de irregularidades no Departamento de Água e Esgoto do município (DAE/VG), incluindo possíveis práticas de peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas. “Verifica-se a presença de indícios da prática de infrações penais”, destacou o magistrado ao autorizar a instauração do inquérito.

As suspeitas surgiram a partir de uma auditoria técnica que apontou inconsistências em sistemas internos, como divergências em backups, falhas em dados de faturamento e registros considerados anômalos de corte e religação de água. Segundo o documento, esses registros podem indicar a existência de “religações fantasmas”, com possível pagamento indevido de produtividade a servidores e potencial desvio de recursos públicos.

O material também cita que apurações internas teriam sido interrompidas após mudanças na gestão do órgão, além de relatar exonerações e possíveis medidas de retaliação contra envolvidos na denúncia. Há ainda menção a áudios que indicariam supostos esquemas de corrupção e possível conhecimento prévio dos fatos por parte da prefeita.

Na decisão, o desembargador determinou o envio do caso ao Núcleo de Competência Originária (NACO) para aprofundamento das investigações, com diligências como perícias técnicas, análise de dados e oitiva de testemunhas. “Determino […] a adoção das diligências cabíveis, observadas as cautelas de estilo e a celeridade que o caso requer”, afirmou.

O inquérito tramitará sob sigilo, conforme previsto no Código de Processo Penal. Até o momento, não há manifestação da defesa da prefeita sobre o caso.


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