Durante entrevista à imprensa, Ranalli disse que o episódio ocorre em um cenário de polarização política e citou supostas “coincidências” envolvendo empresas ligadas ao grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. “A gente vive em um país polarizado. São coincidências que levantam a orelha da direita. O que a gente traz é questionamento”, declarou o vereador. Ele ainda afirmou que a suspensão temporária dos produtos da Ypê causou estranheza após a empresa conseguir derrubar judicialmente a medida poucos dias depois. “Ficou muito estranho. Uma bactéria mortal que um dia era proibida e, dois ou três dias depois, a própria empresa ganha e derruba aquela decisão de suspender as vendas. Então a bactéria mortal deixou de ser?”, questionou.
A polêmica envolvendo a Ypê começou após a Anvisa determinar a suspensão da fabricação de 25 produtos produzidos na unidade de Amparo (SP), depois da identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras analisadas. O micro-organismo pode representar risco principalmente para pessoas imunossuprimidas. A empresa conseguiu uma liminar suspendendo os efeitos da decisão, mas informou que manteria a paralisação temporária da linha de produção para adequações sanitárias.
Nas redes sociais, políticos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a defender a marca e sugerir, sem apresentar provas, que a medida teria motivação política. Entre eles, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador Cleitinho e o vice-prefeito de São Paulo Ricardo Mello Araújo. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que integrantes da família Beira, ligada à Ypê, realizaram doações à campanha de Bolsonaro em 2022.
Em meio aos apontamentos, parlamentar também sugeriu que o caso merece investigação mais aprofundada, inclusive sobre possíveis impactos no mercado financeiro. “A gente está falando de mercado financeiro. Num dia antes, a gente não sabe se teve manipulação de papéis na bolsa. Isso tudo a gente não tem mensura disso. Então o que a gente traz é questionamento”, afirmou. Apesar das críticas, Ranalli negou que esteja afirmando existir uma conspiração. “Eu falei que são coincidências. Se toda a população aceitar tudo sem questionar, a gente pode vir e questionar depois”, completou.
Ao comentar os vídeos que viralizaram nas redes sociais mostrando apoiadores bolsonaristas ingerindo detergente da marca em forma de protesto, o vereador disse considerar que a situação extrapolou o debate político. “Tem coisas que já extrapolam. Eu tenho uma marca de entrar nas discussões, mas beber detergente eu acho que não tem muito nexo”, afirmou.
Veja o vídeo: