- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 31 , AGOSTO 2026
O governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), se esquivou de prometer o pagamento do Revisão Geral Anual (RGA), que acumula defasagem próxima de 20% desde a pandemia da covid-19. Contudo, alegou que vai discutir o assunto com os servidores caso seja reeleito. A declaração foi dada nesta segunda-feira (31), durante entrevista à rádio Jovem Pan. Segundo Pivetta, a discussão deverá envolver diferentes segmentos da sociedade e ter a participação da candidata a vice-governadora em sua chapa, Gisela Simona.
“Então nós vamos discutir esse assunto com transparência. A Gisela é a figura que vai trazer isso para a mesa, vamos discutir com transparência, com todos os segmentos da sociedade, inclusive os servidores”, afirmou.
A defasagem da RGA é uma cobrança antiga do funcionalismo estadual. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta perdas acumuladas entre 2017 e 2025 de 18,87%, considerando o INPC, e de 19,52%, pelo IPCA.
No período analisado, os servidores não receberam RGA em 2018, 2019 e 2021. Nos demais anos, os reajustes concedidos também ficaram abaixo da inflação.
Em 2026, após pressão dos servidores e articulação na Assembleia Legislativa, o reajuste inicialmente calculado em 4,26% foi elevado para 5,40%. O governo estadual, porém, não incluiu no percentual a recomposição das perdas acumuladas nos anos anteriores, sob o argumento de preservar o equilíbrio das contas públicas e os investimentos do Estado.
Ao defender a política salarial adotada durante sua gestão, Pivetta citou as restrições impostas durante a pandemia de Covid-19 e afirmou que, a partir de 2022, o Estado concedeu 34,5% de reajustes aos servidores.
“No período da pandemia, nós perdemos empregos, perdemos milhares e milhares de vidas. Foi uma guerra. Nós aqui enfrentamos ela, o governo enfrentou com muita competência”, afirmou.
Segundo o governador, durante a pandemia houve restrições para aumento das despesas com pessoal em todo o país.
“Nesse período foi proibido aumentar custos com o pessoal, no Brasil inteiro, não é só aqui não. E de 2022 para cá, nós concedemos 34,5% de reajuste anual, 34,5%. Houve RGA todos os anos e, inclusive, esse último ano, os últimos dois anos com ganho real”, declarou.
Pivetta também afirmou que não é contrário a melhores salários para os servidores, mas voltou a destacar a necessidade de haver condições financeiras para isso.
“Eu não tenho nada contra pagar bem o trabalhador. Eu sou empresário e antes de chegar na política eu fiz meu pé de meia e sempre tive muita gente comigo trabalhando e ganhando bem, porque se não pagar bem não tem jeito”, afirmou.
Na sequência, porém, o candidato voltou a evitar um compromisso com a recomposição das perdas acumuladas e disse que será necessário avaliar o impacto de uma eventual medida nas contas públicas.
“Então nós vamos estudar, vamos conversar isso aí, entender bem, fazer com que todo mundo entenda também o lado do Estado, o lado do povo em geral, dos trabalhadores que pagam impostos, dos empreendedores”, afirmou.
Endividamento dos servidores
Pivetta também afirmou que o endividamento dos servidores deve receber atenção em um eventual novo mandato. Para ele, o problema atualmente vai além da defasagem salarial provocada pela RGA.
“O problema que nós temos hoje, maior do que esse [RGA], é o endividamento dos servidores, e isso merece uma reflexão muito grande”, disse.
Segundo o governador, o elevado nível de endividamento compromete a tranquilidade financeira dos trabalhadores.
“Nós estamos olhando para isso com muito carinho, com muito respeito. O nosso povo brasileiro em geral e o servidor também está muito endividado, e isso causa um descompasso e uma inquietude, falta de paz. Quem tem dívida e não consegue pagar a dívida não tem paz. Eu me coloco no lugar de cada um, porque eu passei muito por isso já”, afirmou.
Ao concluir, Pivetta reforçou que pretende discutir o tema, mas sem antecipar qual solução será adotada para as perdas acumuladas.
“É um tema que eu admito discutir e com muita transparência, com muita disposição, chegar nas melhores decisões para o povo mato-grossense como um todo”, concluiu.
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