Ouça - Em áudio, jovem admite ter matado sargento para pagar dívidas de drogas em MT; 'eu ia morrer'
Allan Mesquita / Da Editoria
ReproduçãoReprodução
Um áudio atribuído ao adolescente de 16 anos, apontado pela Polícia Militar como autor dos disparos que mataram o primeiro-sargento da Marinha Anderson de Alencar Batista, de 43 anos, indica que o crime teria sido encomendado por integrantes de uma facção criminosa Comando Vermelho, na madrugada desta quarta-feira (30), em Cáceres (225 km de Cuiabá). No relato, ele afirma que foi pressionado a cometer o homicídio por causa de uma dívida relacionada a drogas e que seria morto caso não cumprisse a determinação.
“Eu tava devendo mais de tonelada pros irmãos. Aí os caras já tavam apressando eu para pagar. Aí como que eu não tinha a força pra ter esse dinheiro, aí eu liguei pro meu povo e não tinha”, relata.
Segundo o adolescente, ele teria procurado um contato para conseguir o dinheiro, mas acabou recebendo a ordem para executar o homicídio. “Aí eu falei, não, mano, até amanhã eu consigo. Aí ele falou, não, mano, já tenho uma missão pra sair hoje, se não você vaia morrer”, afirmou. Na sequência, ainda de acordo com o áudio, ele teria sido ameaçado caso se recusasse a cumprir a determinação. “Então eu vou acabar matando você, porque eu tô por aqui com você”, teria dito um dos envolvidos.
O adolescente afirma que recebeu instruções por telefone e que uma motocicleta foi deixada para que ele fosse até o endereço da vítima. “A moto já tá chegando em 38”, teria informado o homem que estava do outro lado da ligação.
Segundo o relato, depois que a motocicleta foi deixada no local combinado, ele seguiu sozinho até a residência de Anderson. “Eu só montei na moto, acelerei e fui lá. E era só você? Era só eu, eu tava sozinho”, declarou. Ao chegar ao imóvel, ele teria tentado acessar a propriedade cortando a cerca elétrica. “Aí eu só cheguei lá, subi lá, torei o fioleco. Aí o fioleco disparou o alarme”, contou. A expressão usada no áudio aparenta se referir ao fio da cerca elétrica. O sistema de segurança, segundo ele, teria dificultado a entrada e provocado o disparo do alarme, fazendo com que ele recuasse e corresse para uma área de mata próxima à residência.
Ouça o áudio:
Ainda conforme o depoimento, o adolescente permaneceu escondido no mato enquanto mantinha contato com um dos supostos mandantes por telefone. Ele teria sido pressionado a retornar ao imóvel mesmo depois de afirmar que não conseguiria realizar o ataque. “Aí eu falei, meu irmão, não dá, não dá, não dá. Aí ele falou, mano, volta, filha da puta, eu vou acabar matando você, velho. Volta”, relatou.
O adolescente afirma que ficou escondido durante algum tempo e observou a movimentação da vítima. “Aí eu voltei, aí eu vi o cara”, disse. Segundo ele, os envolvidos não teriam fornecido uma fotografia de Anderson, mas apenas características físicas que permitissem identificá-lo. “Os caras só falaram que era nessa casa, ele era um gordão, um fortão e bochechudo. Ele tava até com uma camiseta aberta, porque os caras tavam mapeando ele lá no mercado. Aí eu só fiquei mucado lá no mato”, relatou. Segundo ele, Anderson teria saído da residência para verificar o que estava acontecendo após o acionamento do sistema de segurança.
O adolescente diz que, naquele momento, ainda demonstrava resistência em cumprir a ordem. “Não tem disposição, pai, não tem, não tem, não tem. Aí eu fiquei gachado”, afirmou. Mesmo assim, segundo o relato, o homem que permanecia ao telefone continuou determinando que ele atacasse. “Aí ele só falou, vai gigante, vai, vai, vai”, contou.
Na sequência, o adolescente afirma que decidiu sair do esconderijo e surpreender o militar. “Aí eu fui, o cara, quando o cara olhou pra mim, ele tava saindo do portão dele. Eu só cheguei, pá, pá, matei ele, aí saí correndo”, declarou.
O militar foi morto a tiros dentro do quintal da própria residência, no bairro Jardim Universitário. Conforme informações da Polícia Militar, a equipe foi acionada após moradores relatarem disparos de arma de fogo e encontrou Anderson caído no local. O Corpo de Bombeiros foi chamado, mas constatou a morte.
O relato indica que os disparos ocorreram no momento em que Anderson deixava a residência, depois de verificar o acionamento do alarme. A vítima foi atingida e caiu no quintal do imóvel. Após os disparos, o adolescente afirma que deixou a motocicleta utilizada na ação e recebeu ajuda para deixar a região. Ele seguia em direção a Pontes e Lacerda quando foi localizado e apreendido durante as diligências. As buscas realizadas após o homicídio resultaram na apreensão de seis adolescentes e na prisão de um jovem de 19 anos. A Polícia Civil agora investiga a participação individual de cada um dos envolvidos e trabalha para identificar os possíveis mandantes.
A suposta ligação do crime com o Comando Vermelho, assim como a versão apresentada pelo adolescente sobre a dívida de drogas, as ameaças e a ordem para executar o militar, será apurada no decorrer da investigação.
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