- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 20 , OUTUBRO 2026
Os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, foram abordados por policiais da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), em maio deste ano, enquanto transportavam cerca de R$ 40 mil em dinheiro vivo. A abordagem teria ocorrido após um almoço em uma chácara onde parlamentares supostamente discutiram a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Um vídeo da abordagem, os vereadores foram liberados após apresentarem documentos que comprovariam a origem do dinheiro. O episódio teria sido um dos pontos que contribuíram para o início das investigações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que apura um suposto esquema de compra de votos e negociação de vantagens políticas.
A chácara onde o encontro teria ocorrido pertenceria ao vereador de Várzea Grande Dr. Miguel (Cidadania). Na ocasião, parlamentares supostamente teriam se reunido para articular a composição da Mesa Diretora, cuja eleição foi realizada em 14 de maio deste ano.
Ilde Taques e Alex Rodrigues estão entre os investigados na Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Gaeco nesta terça-feira (20), para apurar suspeitas de corrupção envolvendo a disputa pelo comando do Legislativo várzea-grandense.
Até o momento, não há confirmação de que os R$ 40 mil encontrados durante a abordagem tenham relação com o suposto esquema investigado. A existência do dinheiro, por si só, também não comprova a prática de irregularidades.
Na semana passada, Ilde Taques foi eleito presidente da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027-2028, em votação que contou com o apoio de 27 vereadores.
Investigação
A Operação Cathedra Venalis apura suspeitas de pagamento e promessa de vantagens indevidas a vereadores para influenciar a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Conforme as informações divulgadas sobre a investigação, as supostas negociações não se limitariam à escolha dos integrantes da Mesa Diretora. Os acordos também envolveriam possíveis indicações para cargos públicos, controle de secretarias municipais e discussões sobre a concessão do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG).
O Gaeco investiga se vantagens teriam sido oferecidas a parlamentares em troca de apoio a determinados grupos políticos. Outro ponto apurado é a suspeita de pagamentos periódicos a vereadores, em um suposto esquema conhecido como “pacuzinho”, que teria como objetivo garantir o silêncio de parlamentares sobre possíveis irregularidades.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os investigados está o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB).
As apurações buscam esclarecer se houve efetivo pagamento de vantagens indevidas, identificar os envolvidos e determinar a extensão das supostas negociações.
Outro lado
Em nota divulgada nesta terça-feira (20), Ilde Taques afirmou que colaborou com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e negou participação em articulações ilegais relacionadas à eleição da Mesa Diretora.