- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 20 , OUTUBRO 2026
Apontada como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, voltou ao estado nesta terça-feira (20), após ser capturada na Bolívia. Com condenações que ultrapassam 260 anos de prisão, ela foi transferida para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, onde ficará à disposição da Justiça.
O recambiamento foi realizado pela Polícia Civil de Mato Grosso, com participação de equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco), da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol) e apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Antes de ser levada à capital mato-grossense, Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS).
A entrada dela na unidade prisional de Cuiabá foi autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus). A administração penitenciária recebeu a custodiada e ficará responsável pela continuidade da prisão.
Angeliquinha foi capturada em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso e as autoridades bolivianas. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Após a captura, ela foi entregue à Polícia Federal brasileira e encaminhada provisoriamente para a unidade prisional feminina de Corumbá, onde aguardou os procedimentos necessários para retornar a Mato Grosso.
Na ocasião da prisão, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, Angeliquinha teria apresentado documentos falsos aos policiais bolivianos na tentativa de esconder sua verdadeira identidade. Conforme o delegado Victor Hugo, da Gerência de Combate ao Crime Organizado, os investigadores já tinham informações que permitiram confirmar quem ela era.
A suspeita também teria passado por pelo menos cinco cirurgias para tentar dificultar sua identificação, conforme informações divulgadas anteriormente pelas autoridades.
Suspeita de liderança criminosa
Angeliquinha é apontada pelas investigações como uma das lideranças do Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e municípios da região. Ela é investigada por suposto envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e coordenação de ações criminosas.
Segundo declaração anterior do delegado Victor Hugo, ela seria responsável por uma parcela significativa dos homicídios atribuídos a facções criminosas em Alta Floresta e cidades vizinhas. A estimativa apresentada pelo delegado era de que a investigada teria participação como mandante em cerca de 80% desses crimes.
As condenações atribuídas a Angeliquinha ultrapassam 260 anos de reclusão. Ela também possui mandados de prisão expedidos em diferentes ações penais e investigações.
Justiça determina Regime Disciplinar Diferenciado
A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial fundamentada.
A medida foi adotada após representação da Polícia Civil no âmbito das investigações da Operação Showdown. Conforme os fundamentos apresentados na decisão judicial, há suspeitas de que ela teria continuado a exercer funções de liderança na organização criminosa mesmo enquanto estava foragida no exterior.
O RDD prevê condições especiais de custódia e restrições estabelecidas pela legislação, considerando os fundamentos da decisão judicial e as necessidades de segurança do sistema penitenciário.
Operação apura movimentação de mais de R$ 20 milhões
Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para investigar um suposto núcleo familiar que teria dado suporte às atividades criminosas atribuídas a Angeliquinha e auxiliado na lavagem de dinheiro.
Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão, sequestro de veículos e imóveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão de pessoas jurídicas.
Segundo a investigação, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses. Os valores foram considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
A suspeita é de que empresas e outros negócios tenham sido utilizados para dar aparência legal a recursos provenientes de atividades criminosas. O retorno de Angeliquinha ao sistema penitenciário mato-grossense integra os procedimentos para garantir o cumprimento das decisões judiciais e a continuidade das investigações.