- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 23 , OUTUBRO 2026
O deputado estadual Ondanir Bortolini (Republicanos), conhecido como Nininho, criticou nesta quarta-feira (21) o chamado “pacote de bondades” anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do segundo turno das eleições presidenciais. Para o parlamentar, medidas como a antecipação do Bolsa Família, a proposta de transporte público gratuito aos finais de semana e ações para conter a alta dos combustíveis têm caráter eleitoral e podem comprometer as contas públicas.
A quatro dias da votação, marcada para domingo (25), Nininho classificou as iniciativas como “politicagem” e alertou que a população poderá sentir os efeitos financeiros das medidas após o encerramento do processo eleitoral.
“É muito conhecida essa prática em períodos eleitorais. Agora, vamos ver. O petróleo também já teve dois ou três aumentos segurados. O governo vem absorvendo isso. E, quando passar o dia 25, é outro dia. Aí, tudo que foi prometido ou que não tem condições de se sustentar, nós vamos receber o resultado dessas promessas de campanha”, afirmou.
Entre as medidas anunciadas pelo governo federal está a antecipação do calendário do Bolsa Família de outubro, que permite a liberação dos pagamentos a todos os beneficiários até esta quarta-feira (21). O programa também recebeu reajuste de 15,04%, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O governo justificou a antecipação como uma medida preventiva diante dos possíveis impactos do fenômeno climático El Niño.
Outra iniciativa é a proposta de gratuidade no transporte público aos sábados, domingos e feriados. Nesta quarta-feira (21), Lula assinou o envio ao Congresso Nacional de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o financiamento da medida com parte dos recursos destinados às emendas parlamentares. O texto ainda depende de aprovação do Legislativo para entrar em vigor.
O conjunto de anúncios também inclui medidas de renegociação e perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), ampliação do programa Pé-de-Meia e iniciativas relacionadas aos preços dos combustíveis. O governo apresenta as ações como instrumentos de apoio à renda, ao consumo e à atividade econômica, enquanto integrantes da oposição questionam os custos e o momento dos anúncios.
Nininho, por sua vez, demonstrou preocupação com a capacidade financeira do governo federal de sustentar os benefícios e afirmou que novas despesas precisam estar acompanhadas de condições para seu financiamento.
“Não adianta ficar se apegando em promessas vazias, porque o Estado hoje gasta mais do que arrecada. E um Estado que gasta mais do que arrecada não tem condições de continuar gastando se não melhorar a arrecadação. Tem que ter algum fato que melhore a sua arrecadação”, declarou.
O parlamentar também questionou a proximidade entre os anúncios e a votação do segundo turno, quando Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.
“Eu não tenho dúvida de que isso é politicagem. Espero, como já disse, que a população não caia nessa mentira, não se deixe levar por isso”, concluiu Nininho, ao defender uma mudança no comando do governo federal.
As críticas do deputado ocorrem em meio ao debate sobre o impacto fiscal das medidas anunciadas pelo Executivo. No caso da tarifa zero, a proposta prevê a utilização de recursos de emendas parlamentares, mas ainda enfrenta discussões no Congresso sobre a origem do financiamento e sua viabilidade orçamentária.
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