sexta-feira, 29 - maio 2026 - 13:52



ATÉ COM ERROS DE PORTUGUÊS

Após denúncia em Cuiabá, TCE amplia investigação sobre livros e mira contratos em MT


Allan Mesquita / Da Redação
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O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, afirmou nesta sexta-feira (29) que a investigação sobre o suposto superfaturamento de quase R$ 80 milhões na compra de materiais didáticos pela Prefeitura de Cuiabá será ampliada para o âmbito estadual. A suspeita é de que os mesmos livros adquiridos pela Secretaria Municipal de Educação também tenham sido comprados pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), período em que Amauri Monge ocupava cargos nas duas estruturas.

Durante visita técnica ao Almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, Sérgio Ricardo questionou a escolha dos materiais adquiridos e levantou suspeitas sobre a contratação da coleção “O Mundo Azul do Téo”, apontando que a editora responsável já havia sido alvo de apontamentos do próprio TCE por supostos “erros de português” em publicações anteriores.

“Eu quero saber quem foi o gênio, o secretário que decidiu por isso. Quero ver se estão usando essa coleção do Theo que está com erro. Em vez de usar a palavra ‘mas’, eles usaram ‘mais’. Quero saber se a editora arrumou. Eu já denunciei a própria empresa por erros, porque sou muito atento a isso”, declarou o conselheiro durante a vistoria acompanhada pela imprensa.

O presidente do TCE também afirmou que pretende verificar se houve aquisições semelhantes por parte do Governo do Estado. Segundo ele, a investigação busca entender a relação entre os contratos firmados no município e possíveis compras realizadas anteriormente pela rede estadual de ensino.

Sérgio Ricardo ainda questionou os valores investidos em materiais voltados para educação financeira e informática em Mato Grosso, alegando que a disciplina sequer integra oficialmente a grade da rede estadual. Outro ponto levantado foi a existência de uma carreta carregada com livros parada no bairro Araés, em Cuiabá. Conforme relatado, a empresa estaria cobrando da Prefeitura um contrato e o pagamento do material solicitado pela Secretaria de Educação, embora o município afirme desconhecer a contratação.

Durante a visita, o conselheiro chegou a perguntar ao prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), quem teria indicado Amauri Monge para assumir a Secretaria Municipal de Educação. O prefeito respondeu que recebeu boas referências do então secretário e destacou sua experiência técnica na área. “Nós estávamos procurando uma pessoa com bastante conhecimento da educação. O Amauri tem capacidade técnica e experiência de gestão. Ele é um dos melhores quadros nessa área”, afirmou Abilio.

Apesar disso, o prefeito reforçou que o foco da denúncia não é a competência do ex-secretário, mas sim a prioridade dada à compra dos materiais pedagógicos em detrimento de outras demandas consideradas urgentes, como limpeza, reforma das escolas e transporte escolar.

“Eu estou discutindo o porquê foi feita a aquisição de tanto material pedagógico, num volume que chega a quase R$ 80 milhões. No início do ano, por exemplo, nós repassamos recursos para preparar as escolas para a volta às aulas, mas foi priorizado o pagamento de R$ 21 milhões desses contratos”, declarou.

Ao final da vistoria, Sérgio Ricardo e auditores do TCE recolheram exemplares dos materiais apontados na denúncia, além de outros livros que, em tese, não seriam alvo das investigações, para análise técnica e verificação de possíveis irregularidades. Segundo o presidente do tribunal, a investigação agora será ampliada para o âmbito estadual, com o objetivo de identificar se houve problemas semelhantes nas aquisições realizadas pela Seduc-MT no período em que Amauri Monge atuava no Governo do Estado.

O caso também começou a repercutir na Câmara Municipal de Cuiabá. A presidente da Casa, Paula Calil, citou a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) após o encerramento das comissões já em andamento no Legislativo.

Ela afirmou ainda que o secretário municipal de Fazenda, Marcelo Bussiki, e o servidor Éder Galissiono, citado por Amauri Monge, deverão ser ouvidos pelos vereadores durante as apurações.


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