- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 29 , ABRIL 2026
Áudios reunidos em uma investigação sobre o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG) citam que a prefeita Flávia Moretti (PL) teria conhecimento de supostos esquemas e irregularidades, incluindo as chamadas “religações fantasmas” na autarquia. Com base nesse e em outros elementos, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso pediu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso a instauração de inquérito policial para aprofundar o caso.
De acordo com o documento, há menção expressa em gravações sonoras de que gestora teria conhecimento dos fatos narrados, inclusive das supostas irregularidades administrativas e de informações relacionadas a investigações em andamento.
“Segundo relatado pelo noticiante, este foi contratado pelo DAE/VG em 21 de agosto de 2025 para realizar auditoria técnica no sistema de informação e no planejamento de gestão de tecnologia da autarquia, incumbindo-lhe examinar bancos de dados, consistência informacional e rotinas operacionais. No exercício dessa atividade, afirma ter identificado inconsistências entre backups do sistema, divergências nos dados de faturamento, falhas estruturais relevantes e registros atípicos de cortes e religações de água em volume elevado e em intervalos incompatíveis com a rotina regular do serviço público”, consta em outro trecho.
A apuração teve origem em denúncia sobre possíveis crimes contra a administração pública no DAE, incluindo suspeitas de peculato, fraude administrativa e manipulação de sistemas. Relatórios preliminares indicaram inconsistências em dados operacionais, divergências de faturamento e indícios de práticas como “religações fantasmas”, que poderiam gerar pagamentos indevidos e eventual desvio de recursos públicos.
O material já reunido inclui declarações formais, registros audiovisuais e arquivos digitais, mas ainda depende de perícia técnica para validação, etapa considerada essencial pelo MP para o avanço das investigações.
Apesar da citação direta nos áudios, o Ministério Público ressalta que não há, neste momento, acusação formal contra a chefe do Executivo municipal. Ainda assim, entende que os indícios reunidos são suficientes para justificar a abertura de investigação.
“Embora inexista, neste momento, imputação formal conclusiva contra a Chefe do Executivo Municipal, trata-se de elemento suficiente para justificar investigação regular e tecnicamente aprofundada no foro competente” .
Como a prefeita possui foro por prerrogativa de função, caberá ao Tribunal de Justiça decidir sobre a abertura do inquérito. Caso autorizado, o procedimento deve incluir análise pericial dos áudios, investigação de sistemas do DAE e oitivas de envolvidos.
O caso segue em fase inicial e, até o momento, não há denúncia formal apresentada contra a prefeita.
Outro lado
A Prefeitura Municipal de Várzea Grande informa que, até o presente momento, não recebeu oficialmente qualquer notificação, comunicação formal ou citação referente ao pedido mencionado envolvendo o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG).
A gestão municipal reforça que pauta sua atuação nos princípios da legalidade, transparência e responsabilidade administrativa, permanecendo à disposição dos órgãos de controle e fiscalização para prestar todos os esclarecimentos necessários, caso seja formalmente acionada.
Ressaltamos ainda que, tão logo haja ciência oficial de qualquer procedimento, os fatos serão devidamente analisados e todas as medidas cabíveis serão adotadas dentro do devido processo legal.
A Prefeitura de Várzea Grande segue comprometida com a eficiência dos serviços públicos e com a correta aplicação dos recursos em benefício da população.