sexta-feira, 25 - setembro 2026 - 15:56



ALVO DA NACO

Ex-prefeito critica operação e diz que dinheiro apreendido em casa “não é sujo”


Da Redalção/ FatoAgora
Alcino Barcelos
Alcino Barcelos

O ex-prefeito de Pontes e Lacerda (443 km de Cuiabá) e candidato a deputado estadual, Alcino Pereira Barcelos (PL), reagiu à operação deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) nesta sexta-feira (25) e afirmou que o dinheiro encontrado durante as buscas em sua residência “não é sujo”.

Alvo de mandado de busca e apreensão, Alcino também questionou a proximidade da operação com a eleição e sugeriu que o momento escolhido para a ação poderia prejudicar sua candidatura. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que estava em Mirassol D’Oeste quando os policiais foram até sua casa.

“Estava em uma agenda em Mirassol D’Oeste e hoje cedo a polícia foi na minha casa, faltando 10 dias para a eleição. Estamos entre terceiro e quarto lugar, nas pesquisas. Por que não foram antes? Para não dar tempo de se defender?”, disse.

Na sequência, o candidato criticou o que considera uso político da Justiça durante o período eleitoral.

“É isso que me deixa triste com esse país. Estão usando a Justiça para fazer injustiça”, afirmou.

Durante o cumprimento do mandado, os investigadores localizaram dinheiro na residência de Alcino. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) informou que ainda não havia contabilizado o valor total apreendido.

O ex-prefeito confirmou que mantinha dinheiro em casa, mas negou que os valores estivessem escondidos ou tivessem origem ilícita.

“O dinheiro que eu tenho em casa estava no meu quarto, não estava escondido. Se fosse dinheiro sujo não estaria lá”, declarou.

Até o momento, porém, Alcino não detalhou publicamente a origem dos recursos encontrados.

Contratos de R$ 5,7 milhões

A operação investiga possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024.

Segundo o Naco, foram identificados sete contratos celebrados entre o município e a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. Cinco deles foram assinados entre 2022 e 2023 e movimentaram cerca de R$ 4,7 milhões.

Com a atualização dos valores, os contratos analisados chegam a aproximadamente R$ 5,7 milhões.

A investigação também aponta possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e pessoas relacionadas às empresas envolvidas nos contratos.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teriam identificado ainda movimentações financeiras consideradas suspeitas no decorrer da apuração.

Outro ponto investigado pelo Naco envolve a aquisição da Estância Rancho Fundo I por Alcino.

Conforme a investigação, a negociação da propriedade teria previsto o pagamento por meio da entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore.

Os investigadores afirmam, contudo, que não encontraram registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação, situação que passou a ser analisada no âmbito do procedimento.

Além das buscas realizadas nesta sexta-feira, a Justiça autorizou uma série de medidas contra os investigados.

Entre elas estão o acesso a dados telemáticos, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro, além da indisponibilidade de bens, direitos e valores.

A operação contou com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).

Alcino nega ter cometido irregularidades e questiona a realização da operação durante o período eleitoral. Até o momento, ele também não informou quais medidas pretende adotar na defesa diante das suspeitas investigadas pelo Ministério Público.

Veja:


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