quarta-feira, 30 - setembro 2026 - 07:00



ALGORITMOS

Fávaro fala em interferência de Trump e alerta para uso de tecnologia nas eleições


Augusto Reis/ Da Redação - Allan Mesquita/ Do Local
Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro
Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro

O candidato à reeleição ao Senado Carlos Fávaro (PSD) afirmou acreditar que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possa tentar interferir nas eleições brasileiras de 2026 por meio de ferramentas digitais, incluindo algoritmos, com possível impacto sobre a formação da opinião dos eleitores. A declaração foi feita pós sabatina com candidatos ao Senado promovida pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), em Cuiabá, as vésperas do pleito que ocorre neste domingo, 4 de outubor.

Questionado sobre a possibilidade de interferência norte-americana no processo eleitoral, Fávaro afirmou que a disputa deste ano será uma das mais difíceis dos últimos anos e demonstrou preocupação com o uso de plataformas digitais para influenciar o comportamento dos eleitores.

“Acredito na interferência por parte do Trump nas eleições aqui no Brasil”, afirmou.

Ao mencionar os algoritmos, o senador se referiu à possibilidade de mecanismos utilizados por redes sociais e outras plataformas digitais influenciarem quais conteúdos chegam aos usuários e, consequentemente, interferirem no ambiente de informação durante a campanha.

Na avaliação de Fávaro, uma eventual atuação desse tipo poderia favorecer setores da direita e do bolsonarismo. O senador, contudo, apresentou a possibilidade como uma preocupação e não apresentou evidências de que o governo Trump esteja atualmente operando algoritmos para beneficiar candidatos brasileiros. A preocupação ocorre em um contexto no qual a própria Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um relatório reservado sobre o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano.

O documento foi encaminhado, no fim de agosto, à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. Segundo informações divulgadas pela imprensa e confirmadas pela Agência Brasil, a Abin classificou a possibilidade de interferência externa como um risco de “nível de criticidade”.

O relatório aponta uma escalada da pressão do governo norte-americano sobre o Brasil e analisa ações da administração Trump relacionadas à política externa na América Latina. Entre os pontos citados estão medidas econômicas e políticas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil. Diante desse cenário, Fávaro defendeu que o Brasil acompanhe eventuais tentativas de interferência externa e cobrou uma atuação preventiva das instituições.

“A gente precisa defender a soberania, a democracia no Brasil com altivez. Eu espero que isso não ocorra, mas nós temos que estar atentos, levando a militância a reagir, a tomar posicionamento e também o Tribunal Superior Eleitoral a tentar coibir tentações de ilegalidade que possam vir a acontecer”, declarou.

Assim, a fala do senador se insere em um debate mais amplo sobre influência estrangeira, redes sociais, algoritmos e formação da opinião pública durante as eleições de 2026. Até o momento, os alertas oficiais mencionam risco de interferência dos Estados Unidos, mas não comprovam uma operação específica do governo Trump para manipular algoritmos em favor de determinado grupo político brasileiro.

Veja vídeo:


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