terça-feira, 14 - julho 2026 - 06:06



CORRUPÇÃO

Justiça afasta secretário e vereador de Salvador por suspeita de fraude


Tribunal de Justiça da Bahia
Tribunal de Justiça da Bahia

A Justiça da Bahia determinou o afastamento do secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro de Salvador, Luciano Sandes, e do vereador George Carlos Reis Pereira (PP), conhecido como Gordinho da Favela, durante as investigações que apuram um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos da administração municipal.

A decisão foi cumprida nesta segunda-feira (13) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA), durante uma operação que investiga uma organização suspeita de fraudar licitações, direcionar contratos, superfaturar pagamentos, desviar recursos públicos e ocultar valores.

Segundo as investigações, o esquema teria causado um prejuízo estimado de R$ 38,3 milhões aos cofres públicos municipais. A apuração aponta que as irregularidades teriam ocorrido ao longo de aproximadamente 10 anos em contratos firmados pela Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman) e pela Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal).

Conforme a decisão judicial, o afastamento de Luciano Sandes foi determinado devido ao risco de interferência nas investigações. A magistrada destacou que, enquanto permanecesse no cargo, o secretário teria acesso a mecanismos administrativos que poderiam influenciar procedimentos internos, autorizar despesas, ordenar pagamentos e comprometer a coleta de provas.

O vereador Gordinho da Favela também foi afastado cautelarmente do mandato. De acordo com a decisão, a medida busca evitar que uma possível influência política seja utilizada para beneficiar integrantes do grupo investigado ou prejudicar o andamento das apurações.

Entre os contratos analisados pelo Ministério Público está uma licitação realizada em 2018. Segundo a investigação, o acordo previa inicialmente o valor de R$ 8,9 milhões, mas os pagamentos realizados chegaram a R$ 15,2 milhões, representando um aumento superior a 60%. O MP aponta que a elevação dos valores não teria apresentado justificativa técnica considerada suficiente.

Em nota, a Prefeitura de Salvador informou que irá cumprir a decisão judicial, colaborar com os órgãos de investigação e instaurar um procedimento administrativo para apurar possíveis prejuízos aos cofres públicos relacionados aos fatos investigados.


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