- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 4 , NOVEMBRO 2026
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), afirmou nesta quarta-feira (4) que a prisão do procurador concursado Grhegory Paiva Pires Moreira, investigado na Operação Tomada de Contas, não pode comprometer a imagem dos demais servidores do Legislativo. O parlamentar classificou a situação como um caso individual e defendeu a atuação dos profissionais da Casa.
Grhegory está entre os seis presos preventivamente pela Polícia Federal na operação deflagrada em 29 de outubro, que investiga suspeitas de corrupção envolvendo contratos e fornecedores do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Durante entrevista na Assembleia, Max explicou que o procurador pertence ao quadro efetivo do Legislativo, mas estava cedido ao Tribunal de Contas a pedido do próprio órgão, responsável pelo pagamento de sua remuneração.
“O Grhegory, especificamente, é um procurador concursado da Assembleia Legislativa. Ele foi requisitado ao Tribunal de Contas e isso acontece de forma normal”, afirmou.
Segundo o presidente, a cessão de servidores entre instituições públicas é uma prática administrativa comum e, no caso do procurador, não representava despesas para a Assembleia Legislativa.
“Não é a Assembleia Legislativa que paga o seu salário. Então, o Tribunal de Contas que paga”, esclareceu.
Max também saiu em defesa do quadro funcional da Assembleia e afirmou que eventuais irregularidades devem ser atribuídas individualmente aos responsáveis, sem atingir os demais servidores.
“Nós temos ótimos servidores, compromissados, honestos, sérios, íntegros e que a gente acredita muito na lisura e no trabalho deles”, declarou.
O deputado acrescentou que situações dessa natureza podem ocorrer em qualquer instituição pública e que eventuais responsabilidades devem ser apuradas.
“Se cometer, vai ter que ser punido por isso”, ressaltou.
O presidente da Assembleia ressaltou ainda que Grhegory, por ser concursado, possui vínculo efetivo com o Legislativo e não pode ser demitido sem a observância dos procedimentos legais. O procurador foi exonerado na terça-feira (3) da função de consultor jurídico-geral do TCE-MT, mas a medida não encerra seu vínculo com a ALMT.
Segundo Max, caso o Tribunal de Contas formalize a devolução do servidor, a Assembleia deverá avaliar sua situação funcional e as providências administrativas cabíveis. O deputado explicou que uma eventual demissão exige a abertura de processo administrativo disciplinar (PAD), com direito à defesa.
A situação do procurador ganhou repercussão após a Polícia Federal apontá-lo como destinatário de aproximadamente R$ 32,3 milhões em pagamentos considerados suspeitos, registrados entre janeiro e outubro de 2025. Os valores integram a investigação sobre possíveis desvios de recursos públicos no TCE-MT e ainda não representam conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal.
A Operação Tomada de Contas resultou em seis prisões preventivas, incluindo a do então presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida. A investigação apura suspeitas de corrupção, irregularidades em contratos administrativos e movimentações financeiras envolvendo integrantes da Corte de Contas.
Apesar da gravidade das suspeitas, Max defendeu que as investigações sejam conduzidas individualmente e que eventuais punições respeitem o devido processo legal, sem comprometer a imagem dos demais servidores da Assembleia.