terça-feira, 2 - junho 2026 - 09:24



REGIÃO NOROESTE

Sérgio Ricardo inicia inspeção na MT-170 após denúncias


DA ASSESSORIA
TCE/Divulgação
TCE/Divulgação

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, iniciou nesta segunda-feira (1º) uma série de inspeções na MT-170 para apurar denúncias sobre o rápido desgaste da rodovia, que apresenta trechos deteriorados poucos meses após a conclusão das obras. A fiscalização servirá de base para uma auditoria que investigará a execução dos serviços, o uso dos recursos públicos e eventuais responsabilidades das empresas envolvidas.

A vistoria começou diante de reclamações de moradores, produtores rurais e lideranças da Região Noroeste, que apontam problemas estruturais em segmentos da estrada que receberam investimentos milionários.

Segundo Sérgio Ricardo, um dos trechos mais críticos fica entre os municípios de Castanheira e Juruena. Para o presidente do Tribunal, os indícios apontam que os problemas podem não estar restritos a um único segmento da rodovia.

“As informações que nós temos é que tem um trecho entre Castanheira e Juruena que está totalmente destruído. Só que, como é tudo o mesmo projeto, daqui a pouco toda a rodovia vai estar destruída. A MT-170 virou farelo e ela custou milhões”, afirmou.

Nos próximos dias, a equipe técnica do Tribunal passará por Campo Novo do Parecis, Brasnorte, Juína, Castanheira e Juruena. Além da análise técnica da pavimentação, a programação prevê encontros com gestores municipais, representantes de entidades e moradores da região para coleta de informações e relatos sobre as condições da estrada.

De acordo com o conselheiro, a intenção é ampliar a apuração com a participação da população diretamente afetada pelos problemas na rodovia.

“Temos recebido muita reclamação de toda essa região para onde estamos indo. Então, queremos ouvir as pessoas. Todo mundo pode acompanhar nossa caravana, é o Tribunal de Contas com o pé na estrada”, declarou.

Outro ponto que será investigado pela auditoria envolve a existência e a validade das garantias contratuais e dos seguros das obras executadas. Conforme explicou Sérgio Ricardo, a ausência de cobertura pode dificultar a recuperação dos trechos comprometidos.

“O artigo 618 do Código Civil diz que a empresa tem que garantir a manutenção por cinco anos. Mas, se não tem seguro, não tem como cobrir o estrago”, ressaltou.

A MT-170, antiga BR-174, foi transferida para a responsabilidade do Estado em 2022 com o objetivo de acelerar o processo de pavimentação. O projeto contempla dois grandes eixos: a implantação de novo asfalto entre Castanheira e Colniza e a recuperação do trecho que liga a BR-364 a Castanheira, passando por Brasnorte e Juína.

Entre os segmentos sob investigação está um lote executado pela empresa MT-Sul. Levantamento preliminar do Tribunal aponta que aproximadamente R$ 130 milhões já foram pagos pela execução da obra.

“É um trecho em que a MT-Sul já recebeu R$ 130 milhões e a estrada está totalmente destruída em um ano”, afirmou o presidente do TCE.

As denúncias recebidas pelo órgão de controle apontam que os problemas na rodovia já provocam impactos no transporte de cargas, no deslocamento de pacientes e na segurança dos usuários que trafegam pela região.

Diante das suspeitas, o Tribunal convocou representantes das empresas MT-Sul, Guache, Cavalca e Agrimat, responsáveis por diferentes lotes da obra, além da Consol, contratada pelo Governo do Estado para realizar a supervisão e fiscalização dos serviços executados.

A auditoria deverá avaliar se houve falhas de execução, descumprimento de especificações técnicas ou outros fatores que possam ter contribuído para a deterioração precoce da pavimentação.


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