- CUIABÁ
- SÁBADO, 7 , NOVEMBRO 2026
A declaração do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), em defesa do corte das mãos e dos pés de pessoas que furtam fios de igrejas provocou reações diferentes entre vereadores da Capital. Enquanto Michelly Alencar (União) classificou o comportamento do gestor como “fora do padrão” e discordou da punição, Rafael Ranalli (PL) afirmou que concorda com a fala e saiu em defesa do prefeito, que depois recuou das declarações defendendo leis mais duras.
Questionada sobre a declaração, Michelly reconheceu que Abilio costuma fazer comentários controversos, mas afirmou que não concorda com a proposta de mutilação como punição para criminosos.
“Eu acho que a gente tem um prefeito polêmico, né? Ele tem falas polêmicas, ele tem um comportamento fora do padrão. Mas essa fala dele eu não concordo, porque a gente já tem uma legislação para tratar desse assunto”, afirmou.
A vereadora também recorreu a argumentos religiosos para criticar a sugestão do prefeito e disse que a punição remete a práticas do Velho Testamento.
“Falar de cortar pés e mãos é como se eu estivesse voltando lá no Velho Testamento. Jesus já se posicionou diferente do Velho Testamento. Jesus veio para dizer que não é olho por olho, dente por dente”, declarou.
Michelly acrescentou que, como parlamentar responsável pela elaboração de leis, considera que seu papel é defender o cumprimento da legislação vigente.
Na direção oposta, Rafael Ranalli afirmou que concorda com Abilio e defendeu que o prefeito tem liberdade para expressar sua opinião, mesmo que a proposta não encontre respaldo na legislação brasileira.
“Eu sou um defensor, por exemplo, da pena de morte. Eu sou defensor. Ah, mas não pode, é cláusula pétrea. Está bom, eu tenho o direito de falar”, argumentou.
Ranalli também questionou o que considera um tratamento diferente dado a declarações de políticos de direita e de esquerda. Para ele, há contradição nas críticas feitas ao prefeito, especialmente quando comparadas a posicionamentos sobre punições adotadas em outros países.
“Tem que tomar muito cuidado, mas eu assino embaixo o que o prefeito disse”, concluiu.
A polêmica
A controvérsia começou após Abilio defender punições físicas para pessoas que furtam fios de igrejas. Durante uma agenda pública, o prefeito afirmou que, se tivesse poder para decidir sobre o assunto, apresentaria uma proposta para cortar as mãos e os pés dos criminosos.
A declaração provocou repercussão nas redes sociais e críticas de diferentes setores. A Constituição Federal proíbe penas cruéis e punições que envolvam mutilação física.
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