- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 16 , ABRIL 2026
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou decisão do ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), de abandonar o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá e optar pelo sistema BRT, que ainda não foi concluído. A declaração ocorreu durante agenda oficial, quando o petista relatou ter conhecido de perto o funcionamento do VLT em Salvador.
“Andei no VLT de Salvador, mas pasmem o que eu fiquei sabendo lá, [Geraldo] Alckmin: aquele VLT foi comprado para ser montado em Mato Grosso, em função da Copa do Mundo de 2014. Como era obra do outro governador, o atual não quis fazer. ‘Não vou fazer VLT, vou fazer um BRT’, e os trens ficaram encaixotados, até que a Bahia soube que estavam parados, foi lá e comprou com 40% de desconto”, afirmou Lula. Os vagões, originalmente adquiridos para Cuiabá, foram posteriormente vendidos pelo Governo de Mato Grosso por mais de R$ 700 milhões, em uma negociação intermediada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Na sequência, o presidente alfinetou a situação da mobilidade urbana na capital mato-grossense, ao comparar com a realidade da capital baiana. “Nem o VLT, nem o BRT, nem qualquer coisa está funcionando em Cuiabá, porque não foi feito”, disse, sem citar diretamente Mauro Mendes, que deixou o cargo no fim de março e é apontado como pré-candidato ao Senado.
Para Lula, o caso simboliza decisões políticas que acabam interrompendo projetos estruturantes. “Vocês da construção civil sabem quantas obras foram paradas neste país. Nós encontramos 87 mil casas paralisadas, quase 6 mil obras de escolas e creches interrompidas. Coisas que poderiam estar funcionando e sendo ampliadas”, acrescentou.
Imbróglio do modal
A polêmica envolvendo o sistema de transporte em Cuiabá se arrasta há mais de uma década. As obras do VLT foram iniciadas ainda na gestão do ex-governador Silval Barbosa, com foco na Copa do Mundo de 2014, mas acabaram paralisadas posteriormente durante o governo Pedro Taques, em meio a denúncias de irregularidades.
Em dezembro de 2020, já no comando do Estado, Mauro Mendes decidiu encerrar definitivamente o projeto do VLT e anunciou a substituição pelo BRT. Desde então, o novo modal enfrenta entraves, incluindo mudanças de empreiteiras e atrasos na execução.
O atual governador, Otaviano Pivetta, que assumiu o cargo em 31 de março, avalia que as obras do BRT podem ser concluídas até o fim do ano, embora ainda não haja uma data oficial definida para a entrega do sistema.
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