- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 20 , OUTUBRO 2026
A sessão da Câmara Municipal de Várzea Grande foi marcada por um bate-boca entre o presidente da Casa, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), e Bruno Rios (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL), na manhã desta terça-feira (20). Durante a transmissão oficial, Cerqueira dirigiu frases de cobrança ao colega, incluindo “você vai pagar” e “você vai saber na hora certa”, horas após o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrar uma operação que investiga suspeitas de corrupção e compra de votos na eleição da Mesa Diretora.
O episódio ocorreu logo no início da sessão. Após chamar o vereador Sardinha (MDB) para fazer a leitura de um trecho bíblico, Cerqueira se aproximou de Rios, bateu em seu ombro e disse: “Você vai pagar, meu filho”.
Mesmo com o microfone principal cortado, parte da discussão foi captada pelo sistema de áudio da transmissão. Enquanto o presidente tomava café, Rios rebateu as cobranças e afirmou que não tinha responsabilidade pelas ações dos demais parlamentares. Em outro momento, Cerqueira voltou a provocá-lo: “Você vai saber na hora certa”.
Diante do clima de tensão, a vereadora Rosy Prado (União), que integrava a Mesa Diretora, pediu calma aos colegas. Rios, por sua vez, reagiu às declarações e afirmou que não aceitaria intimidações.
“Não vem me ameaçar aqui não. Faz o que você quiser, Wanderley, faz o que você quiser. Não tenho nada a ver com isso, não, as ações de vocês. Eu respondo pelos meus atos e pelos de vocês”, declarou.
Operação
O confronto ocorreu no mesmo dia em que o Gaeco deflagrou a Operação Cathedra Venalis, que apura suspeitas de corrupção e compra de votos durante a disputa pelo comando da Câmara de Várzea Grande.
Wanderley Cerqueira está entre os alvos da investigação. Após o cumprimento das medidas cautelares, o presidente do Legislativo criticou a atuação policial e questionou a motivação da operação, alegando que a investigação teria caráter político e poderia interferir na autonomia da Câmara.
A apuração envolve os bastidores da eleição da Mesa Diretora e suspeitas de interferências ilícitas e cooptação de votos entre vereadores.
Racha político
A disputa pelo comando do Legislativo municipal acirrou as divergências entre dois grupos políticos. De um lado está Cerqueira, que busca manter influência sobre a Casa; do outro, Bruno Rios, aliado da prefeita Flávia Moretti.
O desentendimento entre os parlamentares expõe o clima de tensão na Câmara em meio à investigação sobre a eleição interna. As declarações de Cerqueira foram captadas durante a transmissão oficial da sessão, enquanto Rios contestou as cobranças e afirmou que responde apenas pelos próprios atos.
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