- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 14 , OUTUBRO 2026
Pelo menos quatro deputados estaduais já demonstraram interesse em ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), cargo que oferece estabilidade até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos, e remuneração elevada. Os parlamentares Júlio Campos (União), Eduardo Botelho (MDB), Carlos Avallone (PSDB) e Dilmar Dal’Bosco (União) procuraram o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), para conversar sobre a possibilidade de assumir uma vaga na Corte.
A movimentação ocorre diante da especulação sobre uma eventual aposentadoria antecipada do conselheiro Waldir Júlio Teis. A possibilidade, porém, perdeu força depois que o próprio Teis afirmou publicamente que desistiu de deixar o cargo antes do prazo previsto.
Em entrevista, Max Russi confirmou que foi procurado pelos quatro deputados, mas ressaltou que o assunto não avançou para uma discussão oficial dentro do Legislativo. “Eu fui procurado por alguns deputados: Júlio Campos, Botelho, Avallone e Dilmar. Alguns deputados procuraram e ouviram essa conversa e tinham interesse nessa participação”, declarou.
O presidente da Assembleia também destacou que não houve apresentação de documentos ou formalização de qualquer procedimento para a escolha de um eventual substituto.
Cargo tem salário-base de R$ 41,8 mil e pode chegar a R$ 90 mil
Um dos principais atrativos da cadeira é a combinação de remuneração elevada, prerrogativas institucionais e permanência prolongada no cargo. Diferentemente dos mandatos eletivos, que dependem do voto popular e têm prazo determinado, o posto de conselheiro do TCE não é submetido a eleições periódicas e pode ser exercido até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos, respeitadas as demais hipóteses legais de afastamento.
A remuneração também chama a atenção. Levantamento publicado pelo portal Eh Fonte em julho de 2026 apontou que o subsídio-base dos conselheiros do TCE-MT era de R$ 41,8 mil mensais. Com gratificações e verbas indenizatórias, os valores brutos chegaram a R$ 90 mil em maio para os conselheiros Antonio Joaquim e José Carlos Novelli.
Os valores totais não correspondem necessariamente ao salário fixo recebido todos os meses por todos os integrantes da Corte, já que dependem da composição individual dos pagamentos.
Além da remuneração, os conselheiros têm prerrogativas e garantias previstas na Constituição Estadual, que estabelece equivalência com os desembargadores do Tribunal de Justiça em aspectos como remuneração, vantagens e impedimentos.
Escolha passa pela Assembleia
Caso uma vaga seja aberta na cadeira de Waldir Teis, a indicação caberá à Assembleia Legislativa. A escolha deverá ser discutida pelos deputados estaduais, seguindo os procedimentos legais aplicáveis.
Max Russi lembrou que o processo seria semelhante ao que ocorreu na indicação do ex-deputado Guilherme Maluf para o tribunal.
“Essa vaga passaria pela Assembleia, pela escolha dos deputados, e seria debatida da mesma forma que foi debatido lá atrás, quando o deputado, hoje conselheiro, Guilherme Maluf disputou”, afirmou.
A possibilidade de abertura da vaga, entretanto, foi afastada por enquanto. Durante sessão realizada na terça-feira (13), Teis declarou que não pretende se aposentar antecipadamente e que continuará trabalhando no tribunal.
O conselheiro completará 75 anos em 21 de outubro de 2028, quando deverá deixar o cargo por aposentadoria compulsória. Até lá, qualquer mudança dependerá de uma eventual saída antecipada ou de outra hipótese legal de vacância.