Xi alerta Trump que desentendimento sobre Taiwan pode gerar conflito
Presidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Donald Trump em PequimPresidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Donald Trump em Pequim
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que as negociações comerciais entre os dois países avançaram durante a abertura da cúpula bilateral realizada nesta quinta-feira (14), em Pequim. Apesar do tom amistoso do encontro, Xi alertou que divergências envolvendo Taiwan podem levar as relações entre as duas potências a um cenário “extremamente perigoso”, com risco de confronto ou até conflito.
As declarações sobre Taiwan foram feitas durante uma reunião reservada entre os líderes, que durou mais de duas horas, segundo o Ministério das Relações Exteriores da China. O governo chinês classificou a questão da ilha — governada democraticamente, mas reivindicada por Pequim — como o tema mais sensível da relação bilateral.
De acordo com o resumo oficial divulgado pela diplomacia chinesa, Xi Jinping afirmou que uma condução inadequada da questão taiwanesa poderia comprometer toda a relação entre China e Estados Unidos. O comunicado americano sobre o encontro, no entanto, não mencionou Taiwan.
A reunião teve como foco principal o avanço das negociações comerciais e temas estratégicos relacionados à economia global. Entre os assuntos debatidos esteve a reabertura do Estreito de Ormuz, importante rota marítima impactada pela guerra envolvendo o Irã, além do interesse chinês em ampliar compras de petróleo dos Estados Unidos para reduzir a dependência do Oriente Médio.
Durante a cerimônia oficial no Grande Salão do Povo, em Pequim, Trump classificou o encontro como potencialmente “uma das maiores cúpulas de todos os tempos”. O evento contou com guarda de honra e apresentações protocolares diante de autoridades e convidados.
Segundo o governo chinês, as equipes econômicas dos dois países realizaram negociações preparatórias na Coreia do Sul na quarta-feira (13), alcançando “resultados equilibrados e positivos”. As conversas buscam preservar a trégua comercial firmada entre os líderes em outubro do ano passado, quando Trump suspendeu tarifas elevadas sobre produtos chineses e Pequim recuou de medidas relacionadas à exportação de terras raras.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou esperar avanços na criação de mecanismos de cooperação comercial e investimentos bilaterais. Segundo ele, também há expectativa de anúncios envolvendo grandes encomendas chinesas de aeronaves da Boeing.
Taiwan amplia tensão diplomática
A venda de armamentos americanos para Taiwan voltou a gerar atritos entre Pequim e Washington. Trump já havia sinalizado que Xi abordaria o tema durante a visita. A China mantém forte oposição ao fornecimento militar americano para a ilha.
Embora os Estados Unidos não possuam relações diplomáticas formais com Taiwan, a legislação americana obriga Washington a fornecer meios para a defesa do território. O governo chinês considera qualquer apoio militar à ilha uma violação de sua soberania.
Analistas avaliam que o tom adotado por Xi Jinping representou um dos alertas mais duros feitos recentemente sobre o tema. Para especialistas em geopolítica, a mensagem teve o objetivo de deixar claro que Pequim considera Taiwan uma linha vermelha nas relações com os Estados Unidos.
Após a reunião oficial, Trump e Xi participaram de uma visita ao Templo do Céu, patrimônio histórico da China, onde posaram para fotos diante da imprensa.
Banquete e aproximação econômica
Na noite desta quinta-feira (14), Xi Jinping ofereceu um banquete de Estado a Donald Trump e a empresários que acompanham a delegação americana. Durante o jantar, o presidente chinês afirmou que a relação entre China e Estados Unidos é “a mais importante do mundo” e defendeu estabilidade entre as duas potências.
Entre os integrantes da comitiva americana estão o empresário Elon Musk e Jensen Huang, que participaram das agendas econômicas da visita.
Segundo informações da agência Reuters, os Estados Unidos autorizaram cerca de dez empresas chinesas a adquirirem chips de inteligência artificial H200, da Nvidia, embora as entregas ainda não tenham sido realizadas.
Pressão política e econômica
Trump chega às negociações em um momento de pressão interna. O presidente enfrenta desgaste político provocado pela guerra envolvendo o Irã, além de decisões judiciais que limitaram sua capacidade de impor tarifas comerciais unilateralmente.
Ao mesmo tempo, Washington busca ampliar exportações agrícolas e energéticas para a China como forma de reduzir o déficit comercial entre os países.
Já Pequim pressiona pela flexibilização das restrições americanas à exportação de equipamentos e semicondutores avançados, considerados estratégicos para o desenvolvimento tecnológico chinês.
Além das questões comerciais, os Estados Unidos esperam que a China atue junto ao Irã para reduzir as tensões no Oriente Médio e garantir estabilidade no Estreito de Ormuz, rota responsável por parcela significativa do fluxo global de petróleo e gás natural.
Ao fim da agenda oficial, Trump convidou Xi Jinping para uma visita à Casa Branca em 24 de setembro, a primeira desde o início de seu segundo mandato presidencial.
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