- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 28 , AGOSTO 2026
O Grupo Nova Fronteira teve o plano de recuperação judicial aprovado pelos credores durante Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26), após meses de negociações para reestruturar um passivo superior a R$ 600 milhões. A aprovação ocorreu em todas as classes de credores e abre uma nova etapa para a reorganização financeira do grupo, que reúne 112 credores.
A recuperação judicial é conduzida pela ERS Advocacia e envolveu negociações com instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a aprovação foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice chegou a 84,18%, enquanto na classe dos quirografários alcançou 66,62%.
Novo financiamento
Entre as medidas previstas no plano está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões. O recurso será utilizado para reforçar o capital de giro e dar suporte à continuidade das operações.
A operação já recebeu aprovação do Banco BTG, instituição com a qual o grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para uma nova suspensão da assembleia por até 60 dias, as negociações avançaram ao longo desta quarta-feira e permitiram que credores e representantes do grupo prosseguissem com a votação.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, a aprovação demonstra a complexidade das tratativas e a construção de um acordo entre as partes.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores”, afirmou.
Segundo o advogado, o resultado permite preservar a atividade econômica do grupo e, ao mesmo tempo, atender aos interesses dos credores.
Credores aprovam proteção
Além do plano de recuperação judicial, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca garantir estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, com a preservação de bens considerados essenciais à atividade produtiva e a suspensão de medidas que possam comprometer a operação.
O objetivo é assegurar que o grupo mantenha sua capacidade produtiva e gere recursos para cumprir as obrigações previstas na recuperação judicial.
Nova fase
O Grupo Nova Fronteira atua há mais de quatro décadas no agronegócio. O processamento da recuperação judicial foi deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá. Na época, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Com a aprovação do plano, o processo entra agora na fase de implementação das condições negociadas. O grupo deverá cumprir as obrigações estabelecidas e, paralelamente, manter as atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação também representa uma sinalização de continuidade ao mercado.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirmou.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, sendo 6 mil hectares destinados ao cultivo de soja. A estrutura também tem capacidade para 40 mil animais, entre áreas de pastagem e confinamento.
A manutenção da atividade produtiva será um dos principais pilares da reestruturação, com a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações previstas no plano.