- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 1 , SETEMBRO 2026
Aliados do candidato ao Governo de Mato Grosso, senador Wellington Fagundes (PL), afirmam que a agenda de Flávio Bolsonaro (PL) no Estado teria sido vazada a José Medeiros (PL), que correu para encontrar o presidenciável e, posteriormente, teria tentado apresentar a movimentação como uma articulação própria. Segundo informações de bastidores apuradas pelo FatoAgora, Flávio teria vindo a Mato Grosso principalmente para gravar material de campanha e não teria nem mesmo comunicado previamente Medeiros sobre a agenda.
A versão vai de encontro à informação de que Fagundes teria sido excluído ou boicotado da programação de Flávio em Campo Novo do Parecis. Conforme a apuração, o presidenciável passou pela aldeia da etnia Parecis e, na sequência, utilizou um helicóptero para se deslocar até uma região próxima, onde também realizou gravações de material de campanha.
Durante a passagem pela região, outros candidatos do próprio PL também tentaram se aproximar de Flávio para gravar vídeos e produzir conteúdo eleitoral. Contudo, o presidenciável explicou aos candidatos que não faria gravações individuais com ninguém. A justificativa teria sido de que, se gravasse com um candidato, precisaria atender aos demais, o que não seria possível diante do tempo limitado e da agenda intensa em Mato Grosso.
Ainda conforme apuração da reportagem, Medeiros teria tomado conhecimento da movimentação e ido ao encontro de Flávio. Depois, passou a divulgar a presença do presidenciável como uma agenda articulada por ele, numa tentativa de obter protagonismo político sobre a visita.
Fagundes, que não participou da primeira parte da agenda, também conseguiu encontrar Flávio e registrou um vídeo ao lado do presidenciável, do presidente estadual do PL, Ananias Filho, do vereador Rafael Ranalli e do candidato a vice-governador Reinaldo Morais (Novo).
Durante a gravação, Fagundes fez questão de reforçar a unidade do grupo e associar sua candidatura ao Governo ao nome de Flávio Bolsonaro. “Mas hoje está aqui Flávio Bolsonaro, esse filho leal, seguindo os passos do Bolsonaro, e nós estamos todos juntos”, afirmou.
Na sequência, o senador pediu votos para os dois candidatos: “Flávio Bolsonaro 22, presidente do Brasil, Wellington Fagundes 22, governador”.
A ausência de Fagundes na agenda inicial ganhou repercussão por ocorrer em meio à tensão dentro do PL de Mato Grosso. Na semana passada, Medeiros publicou uma inserção eleitoral em que atacou os chamados “melancias”, termo utilizado por setores do bolsonarismo para se referir a políticos que seriam de direita apenas na aparência. Embora não tenha citado Fagundes nominalmente, a publicação foi interpretada nos bastidores como uma indireta ao candidato ao Governo.
Outro episódio que alimentou as especulações ocorreu em 21 de agosto, quando Fagundes não participou de um almoço promovido por Odílio Balbinotti com empresários do agronegócio em Cuiabá para tratar da arrecadação para a campanha presidencial de Flávio.