quinta-feira, 27 - agosto 2026 - 15:04



DESESPERO PÓS-PARTO

Mãe de bebê achada em lixeira diz que filha nasceu morta em VG; perícia contesta


Da Redação/ FatoAgora
Bebê encontrado em lixo VG
Bebê encontrado em lixo VG

A mãe da recém-nascida encontrada dentro da lixeira de um condomínio em Várzea Grande, em julho deste ano, prestou depoimento à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Cuiabá, e afirmou que a filha nasceu morta. Segundo o relato, ela entrou em desespero após o parto e decidiu colocar o corpo no lixo.

O corpo da bebê foi localizado na manhã de 23 de julho, dentro de uma caixa de papelão depositada em uma lixeira do condomínio. Um trabalhador responsável pela coleta dos contêineres encontrou a criança e acionou a Polícia Militar.

Durante as investigações, a mãe foi identificada a partir das imagens das câmeras de segurança do condomínio. Ao ser ouvida, ela confirmou ter sido a responsável pelo descarte e contou que sequer tinha certeza de que estava grávida. Segundo ela, os sangramentos que continuava apresentando fizeram com que não procurasse atendimento médico ou realizasse acompanhamento pré-natal.

Conforme a versão apresentada à polícia, na noite de 22 de julho, enquanto o marido dormia, ela entrou em trabalho de parto inesperadamente no banheiro de casa e deu à luz sozinha. A mulher afirmou que a criança aparentava não apresentar sinais de vida.

Ainda segundo o depoimento, após cortar o cordão umbilical, ela colocou o corpo da bebê em uma caixa, junto com a placenta e outros materiais decorrentes do parto, e levou tudo até a lixeira do condomínio durante a madrugada.

A investigada reconheceu que aparece nas imagens do sistema de segurança e disse ter agido em meio a um “estado de desespero e confusão emocional”. Ela também negou ter utilizado substâncias para provocar aborto ou ter recebido ajuda de outra pessoa.

O marido também prestou depoimento e confirmou, de maneira geral, a versão apresentada pela companheira. Ele afirmou que só tomou conhecimento do ocorrido dias depois, após o caso ganhar repercussão.

Perícia aponta que bebê nasceu com vida

O laudo de necropsia elaborado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) trouxe um elemento diferente da versão apresentada pela mãe. O exame apontou que a recém-nascida era uma menina com aproximadamente 26 semanas de gestação, equivalente a cerca de seis meses, e pesava 750 gramas.

Não foram encontrados sinais de violência física. No entanto, a perícia identificou respiração após o nascimento, indicando que a criança nasceu com vida e sobreviveu por um curto período.

A causa da morte ainda não foi determinada. Uma das possibilidades avaliadas pelos peritos é que a própria prematuridade extrema tenha contribuído para a morte da bebê.

As investigações continuam para esclarecer o que ocorreu antes, durante e depois do parto. A Polícia Civil ainda aguarda exames complementares e não descarta a possibilidade de que o parto tenha sido provocado por substância abortiva ou outro tipo de intervenção.

Após a conclusão das diligências, o inquérito deve ser finalizado nos próximos dias. A princípio, a investigada deverá ser indiciada por homicídio, considerando, segundo a investigação, o dever de cuidado e proteção que possuía em relação à filha.

O delegado Rogério Gomes, da DHPP, responsável pelo caso, ressaltou que a classificação jurídica poderá ser alterada conforme os resultados dos exames pendentes. Caso seja constatado que houve provocação do parto por meio de prática abortiva, outros crimes, como aborto, também poderão ser considerados.


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