quarta-feira, 14 - outubro 2026 - 15:28



2º TURNO

Produtor diz que apoio do agro a Flávio é um risco; ‘tiro no pé’


Allan Mesquita/ Da Redação
teti
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O megaempresário do agro e ex-assessor do Mapa, Carlos Ernesto Augustin, o “Teti” (PSB), afirmou que o agronegócio dá um “tiro no pé” ao apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República neste 2º turno. Para Teti, os negócios do setor serão gravemente prejudicados, já que a política externa do candidato liberal vai priorizar os Estados Unidos em detrimento da China, maior compradora das commodities brasileiras.

“O Flávio é um problema para a agricultura do Brasil. Porque o Flávio vai lamber as botas do Trump e isto desagrada a China. Os Estados Unidos não são nossos aliados na agricultura, os Estados Unidos são nossos concorrentes”, disparou Augustin.

Retaliação da China

De acordo com o produtor rural, o alinhamento automático de um eventual governo Flávio Bolsonaro com o ex-presidente americano Donald Trump pode gerar respostas imediatas e severas do mercado asiático na balança comercial.

Ele ressalta que as sanções chinesas não costumam vir acompanhadas de barulho diplomático, mas sim de impactos diretos no volume de compras: “A China não se pronuncia sobre isso ou aquilo, mas faz cortes, por exemplo, aos volumes de carne que o Brasil exporta para lá. Isso é extremamente perigoso”, alertou.

Articulação de Blairo por ministério

Ao comentar a mudança de postura de Blairo Maggi (PP), que declarou apoio a Flávio Bolsonaro após o avanço do candidato ao 2º turno à frente de Lula, Teti revelou que a movimentação visa garantir espaço no primeiro escalão e promover um rodízio político em Mato Grosso.

“Pelo que eu ouço falar, é que ele quer indicar o Mauro Mendes para ser ministro de Minas e Energia ou ministro da Agricultura, caso o Bolsonaro vença, para que o suplente Cidinho migre para a senatória”, revelou.

A manobra faria com que o senador eleito Mauro Mendes (União) deixasse a cadeira no Senado para assumir um ministério, abrindo espaço para o primeiro suplente Cidinho Santos (PP), aliado histórico de Maggi. A articulação também serviria como sustentação política para Mendes diante de desdobramentos na Justiça Eleitoral sobre despesas de campanha.

‘Crise’

Por fim, Augustin comparou o histórico de atenção aos produtores rurais entre as correntes políticas. Segundo ele, governos de esquerda sempre demonstraram sensibilidade para renegociar dívidas do setor, enquanto a oposição adotará uma postura de abandono.

“Eu já vi o presidente Lula e a presidente Dilma equacionarem várias vezes o endividamento da agricultura. Agora, um governo de capitalismo selvagem não vai acudir a agricultura. Vai largar às traças. Realmente estou muito preocupado com isso”, concluiu o empresário.


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