- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 24 , ABRIL 2026
A exploração de minerais críticos — também conhecidos como terras raras — ganhou destaque no cenário político e econômico brasileiro após o anúncio da venda de uma mineradora localizada em Goiás para uma empresa norte-americana, em uma operação estimada em R$ 2,8 bilhões.
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias, semicondutores e equipamentos eletrônicos. Ao todo, são 17 elementos químicos estratégicos, cuja produção global é amplamente dominada pela China, responsável por cerca de 90% da oferta.
O tema já mobiliza o Congresso Nacional, onde tramita um projeto de lei que propõe a criação de uma política nacional para minerais críticos. A proposta, relatada pelo deputado Arnaldo Jardim, prevê diretrizes para licenciamento, financiamento e incentivos econômicos ao setor. A votação, inicialmente prevista para esta semana, foi adiada após pressão do governo federal.
Segundo analistas, o debate insere o Brasil em uma disputa geopolítica mais ampla, especialmente no contexto da rivalidade comercial entre Estados Unidos e China. Um dos pontos mais controversos da proposta envolve a possível criação de uma estatal, a chamada “Terrabras”, destinada à pesquisa e exploração desses minerais.
A ideia enfrenta resistência no Congresso. Parlamentares contrários argumentam que a criação de uma nova empresa pública pode afastar investimentos estrangeiros. A divergência também se reflete dentro do próprio governo.
Enquanto parte da base governista defende a estatal sob o argumento de soberania nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria barrado, ao menos por ora, o avanço da proposta. A avaliação é de que a medida poderia gerar desgaste político, especialmente em um cenário pré-eleitoral.
Outro ponto de tensão envolve a venda da mineradora Serra Verde, em Goiás, negociada com participação do ex-governador e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado. O PSOL ingressou com ação na Procuradoria-Geral da República (PGR), questionando a operação sob o argumento de que se trata de um tema estratégico de soberania nacional.
O interesse dos Estados Unidos nesses minerais não é recente. A estratégia busca reduzir a dependência da China, principal fornecedora global. Já existem, inclusive, tratativas entre o governo brasileiro e autoridades norte-americanas sobre o tema.
Especialistas avaliam que o Brasil ainda está atrás no desenvolvimento desse setor, especialmente quando comparado à China, que investe na cadeia produtiva há cerca de duas décadas. O processo completo — desde a identificação das reservas até a produção de itens de alto valor agregado — pode levar entre 10 e 15 anos e exige investimentos robustos.